Novo acordo ortográfico passa a valer; confira as mudanças
Brasil e Mundo 01/01/2016 10h18

A partir desta sexta-feira (1º) a escrita da língua portuguesa passa a seguir, obrigatoriamente, as novas normas do acordo ortográfico aprovada em 2009. O prazo de seis anos para adaptação terminou nesta quinta (31) e agora vários vocábulos sofrerão mudanças no uso de hífen e na acentuação de verbos e palavras homógrafas (aquelas com mesma grafia, mas com significados diferentes); haverá a extinção do trema; e algumas consoantes serão incluídas oficialmente no alfabeto. Ainda assim, as modificações atingirão apenas 0,8% do total de palavras usadas no Brasil.

As alterações passam a servir de base para correção exames e concursos, ou seja, a grafia antiga deve ser abolida.  Ao todo, oito países falam oficialmente a língua portuguesa: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Timor-Leste, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Com o acordo, a língua escrita será a mesma. Boa parte das formas escrita, no Brasil, como livros e publicações, já adaptaram seu vocabulário às mudanças. A maioria das editoras e meios de comunicação adotou as normas em janeiro de 2009, assim como o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD).

O objetivo da unificação é padronizar a língua e facilitar a comunicação e o intercâmbio entre os oito países. As tentativas de unificar a ortografia da língua portuguesa são antigas. As primeiras vêm do início século 20, em 1907. Em 1990, Portugal estabeleceu o primeiro modelo ortográfico, obrigatório em publicações oficiais e materiais de ensino. À época, a Academia Brasileira de Letras (ABL) e a Academia de Ciências de Lisboa apresentaram a base do tratado ortográfico. Ele deveria ter sido colocado em prática em 1994, mas o projeto não foi confirmado por todos os países-membros, que à época eram apenas sete, pois o Timor-Leste ainda não era independente e sequer falava a língua portuguesa oficialmente.

De 1907 a 2004, foram 18 tentativas de aproximar as ortografias. Entre essas negociações, até 2009, só duas reformas foram concretizadas. Em 1943 foi redigido o primeiro Formulário Ortográfico, um protótipo que visava diminuir as divergências ortográficas com Portugal. Nesta, houve a extinção completa de consoantes mudas como “Egipto” ou “acção”, por exemplo. Já em 1971, aboliram o acento diferencial, para palavras homógrafas, como “êle” (pronome) e “ele” (nome dado a letra “L”).

Mudanças na língua

1 Acento agudo

- Deixa de existir nos ditongos (encontro de duas vogais em uma só sílaba) abertos "ei" e "oi" das palavras paroxítonas (que têm a penúltima sílaba pronunciada com mais intensidade). 

heróico   heroico

assembléia   assembleia


Observação: as oxítonas (com acento na última sílaba) e os monossílabos tônicos terminados em "éi", "éu" e "ói", no singural e plural (anéis, chapéu e herói) continuam com acento. 

- Desaparece nas paroxítonas com "i" e "u" tônicos que formam hiato (sequência de duas vogais que pertencem a sílabas diferentes) com a vogal anterior, que, por sua vez, faz parte de um ditongo. 

feiúra   feiura

Observação: as vogais "i" e "u" continuam a ser acentuadas se formarem hiato, mas estiverem sozinhas na sílaba ou seguidas de "s" (baú e baús) ou, em oxítonas, se forem precedidas de ditongo e estiverem no fim da palavra (tuiuiú).

2 Trema

- É eliminado, mas a pronúncia continua a mesma. 

tranqüilo   tranquilo

freqüente   frequente


Observação: o sinal foi mantido em nomes próprios de origem estrangeira, bem como em seus derivados (como em Müller e mülleriano).

3 Acento circunflexo

- Não é mais usado nas palavras terminadas em "oo". 

enjôo   enjoo

- Também desaparece o circunflexo na conjugação da terceira pessoa do plural do presente do indicativo dos verbos crer, ler, ver e derivados. 

lêem   leem

Observação: nada muda na acentuação dos verbos ter e vir e dos seus derivados.

4 Acento diferencial

- Nos casos abaixo, não é mais usado para facilitar a identificação de palavras homófonas, ou seja, que têm a mesma pronúncia. 

pára (forma verbal) e para (preposição) 

pelo (preposição + "o") e pêlo (substantivo) 

Observação: duas palavras continuarão recebendo o acento diferencial: 

Pôr (verbo) mantém o circunflexo para que não seja confundido com a preposição por. 

Pôde (verbo conjugado no passado) também mantém o acento para que não haja confusão com pode (o mesmo verbo no presente).

5 Hífen

- Deixa de ser empregado quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com as consoantes "s" ou "r". A consoante, então, passa a ser duplicada. 

anti-religioso   antirreligioso

- Caiu nos casos em que o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com outra. 

auto-estrada   autoestrada

Observação: ele se mantém quando o prefixo termina com "r" e o segundo elemento começa com a mesma letra, como em super-resistente.

*Com informações do Diário de Pernambuco

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