Brasil receberá visita de técnicos americanos para inspeção veterinária
Economia 14/08/2017 14h16 - Atualizado em 14/08/2017 14h27

O Brasil deverá receber a visita de técnicos norte-americanos para uma inspeção veterinária até o fim desse mês, segundo o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi. O objetivo é avançar na retomada das exportações de carne fresca para os Estados Unidos.

Segundo o ministro, a pasta convidou os técnicos. Em visita a Lucas do Rio Verde (MT), acompanhando o presidente Michel Temer, na última sexta-feira (11), Maggi disse que está “tudo sendo arrumado para [o Brasil] voltar em breve ao mercado dos Estados Unidos”.

O embargo norte-americano ao produto brasileiro foi anunciado no dia 22 de junho devido a preocupações recorrentes sobre a segurança dos produtos destinados ao mercado daquele país, segundo autoridades dos EUA. O fechamento do mercado norte-americano se deu em razão da existência de abscessos, além de pedaços de osso encontrados na parte dianteira dos animais.

Segundo o Ministério, a vacinação contra a febre aftosa pode ser a causa das inflamações. Para tentar solucionar a questão, Maggi também disse que a sapomina deverá deixar de ser um dos componentes da vacina e que as doses da vacina serão reduzias de 5 mililitros (ml) para 2,5 ml.

A retirada da saponina estava entre as alterações solicitadas pelo agronegócio em documento encaminhado ao ministério. As instituições relacionam a substância “à exacerbada irritação no local da aplicação, que se agrava até casos de edema e severa reação inflamatória, com consequente ocorrência de abscessos [nódulo inchado cheio de pus]”.

Em julho, o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) já havia antecipado que faria alterações na vacina. Até então, o Mapa não tinha confirmado as informações.

“Não é uma questão de saúde humana, mas de apresentação. O Brasil é livre de aftosa com vacinação, o que significa que não podemos exportar para um país livre sem vacinação qualquer tipo de carne com osso”, diz o ministro. Trata-se de medida preventiva, já que na hipótese de ocorrência da doença, o vírus poderia resistir nos ossos por meses.

Foram 17 anos de negociações para que o Brasil conseguisse exportar carne fresca para os Estados Unidos. As exportações começaram a ser feitas em setembro do ano passado. Ao todo, 15 plantas frigoríficas exportavam carne in natura para o país. Essas plantas acumularam, de janeiro a maio, US$ 49 milhões em exportação.

Maggi foi pessoalmente aos Estados Unidos onde reuniu-se com o secretário de Agricultura do governo norte-americano, Sonny Perdue, em Washington. O ministro mostrou otimismo e disse, na ocasião, acreditar que as exportações serão retomadas em 60 dias.

A venda de carne fresca para os Estados Unidos representa apenas 2% das exportações totais brasileiras. Tradicionalmente, o país vende carne industrializada para o mercado norte-americano, cujas exportações não foram afetadas.

Fonte: Agência Brasil

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