Indenizar-se: 15 vereadores de Aracaju acusados de desviar R$ 5 milhões
Política 16/09/2016 09h39 - Atualizado em 16/09/2016 23h43

Por Will Rodriguez

Após cerca de seis meses de investigação, a Polícia Civil e o Ministério Público de Sergipe concluíram que 15 vereadores de Aracaju se apropriaram indevidamente de cerca de R$ 5 milhões entre os anos de 2012 e 2015.

Os resultados do inquérito com mais de seis mil páginas foram apresentados em entrevista coletiva, na manhã desta sexta-feira (16), quando delegados e promotores detalharam como foi feito o desvio das verbas indenizatórias no valor de R$ 15 mil de que cada parlamentar dispunha mensalmente.

De acordo com os investigadores, o esquema foi articulado com empresas do advogado e ex-vereador Alcivan Menezes que prestam serviços de assessoria jurídica e locação de veículos. As investigações demonstraram que, apesar de terem sido pagos, nenhum dos serviços foram efetivamente prestados e a sua comprovação se deu através de notas fiscais falsas. "No caso da assessoria jurídica, todo o dinheiro voltava para os vereadores. No caso da locação de veículos, eles utilizaram placas de veículos que nunca foram locados e apenas de 9 a 15% dos valores eram repassados para Alcivan", destacou a delegada Daniele Garcia.

Todos os vereadores estão sendo processados por peculato, associação criminosa e falsidade ideológica. Esta ação penal que tramita na 3º Vara Criminal de Aracaju já começou a ter seus primeiros desdobramentos.

Nesta quinta-feira (15) foram cumpridos mandados de prisão preventiva contra os vereadores, Agamenon Sobral (PHS) e Adelson Barreto Filho (PR), e também contra Alcivan Menezes e seus três filhos: Alcivan Filho, Richard Leon e Pedro Ivo. A Justiça já concedeu liberdade provisória aos parlamentares e converteu as prisões dos advogados em domiciliares.

Outro desdobramento da instrução processual é o afastamento de oito vereadores que, segundo os promotores, continuaram a realizar o esquema mesmo após a deflagração da operação, em abril deste ano. Veja relação: Adriano Taxista (PSDB), Agnaldo Feitosa (PMDB), Jailton Santana (PSDB), Augusto do Japãozinho (PTdoB), Valdir Santos (PTdoB), Daniela Fortes (PEN), Emmanuel Nascimento (PT) e Renilson Felix (DEM).

Chama atenção dos promotores o fato de que, mesmo após a primeira fase da operação, os parlamentares continuaram a operar o suposto esquema, modificando apenas as empresas que forneciam as notas fiscais. Esse fato levou ao pedido de afastamento dos parlamentares e a prisão preventiva de dois deles. "No caso de Agamenon e Tjói, eles não apenas continuaram, como aumentaram em cerca de 100% o valor das notas", detalha o promotor Bruno Melo. 

F5 News está à disposição dos vereadores citados na matéria através do email jornalismof5news@gmail.com ou do telefone 79 3218-8379.

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