Lava Jato: ministro do STF manda investigar dois senadores de Sergipe
Fachin autoriza inquéritos para 9 ministros, 29 senadores, 42 deputados e 3 governadores, diz jornal
Política 11/04/2017 19h37 - Atualizado em 12/04/2017 15h55

Por F5 News

Dois dos três senadores da República por Sergipe aparecem entre os políticos que devem ser investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da operação Lava Jato. Eduardo Amorim (PSDB) e Maria do Carmo Alves (DEM) estão na lista do ministro Edson Fachin, relator da operação no STF, divulgada pelo pelo jornal O Estado de S.Paulo nesta terça-feira (11).

De acordo com o jornal, o ministro relator determinou a abertura dos inquéritos com base nas delações dos 78 executivos e ex-executivos do Grupo Odebrecht. A relação dos investigados também inclui nove ministros do governo Temer, 27 senadores e 42 deputados federais, entre eles os presidentes das duas Casas, Eunício Oliveira e Rodrigo Maia, respectivamente. O grupo faz parte do total de 108 alvos dos 83 inquéritos que a Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou ao STF, todos com foro privilegiado naquela Corte.

No caso dos parlamentares sergipanos, os delatores afirmaram que o então prefeito de Aracaju, João Alves Filho, teria solicitado o pagamento de Caixa 2 no valor de R$ 600 mil para as campanhas de Maria ao Senado e Eduardo ao governo, em 2014. 

A quantia foi lançada nas planilhas do setor de propinas em nome de “Branquinho”. Em troca, segundo os depoimentos, a empresa teria favorecimento em projetos de saneamento básico. 

Neste inquérito, o ministro relator determinou que a PRG emita novo parecer analisando "a eventual extinção da punibilidade  do delito narrado considerando a data do fato, a pena máxima prevista no Código Eleitoral e a idade da segunda investigada". 

Investigados

Apesar de estar citado no pedido de abertura de dois inquéritos, o presidente da República, Michel Temer, não é alvo de investigação por causa da “imunidade temporária” que o cargo lhe proporciona.

Entre os ministros estão Eliseu Padilha (PMDB), da Casa Civil; Moreira Franco (PMDB), da Secretaria-Geral da Presidência da República; Gilberto Kassab (PSD), da Ciência e Tecnologia; Helder Barbalho (PMDB), da Integração Nacional; Aloysio Nunes (PSDB), das Relações Exteriores; Blairo Maggi (PP), da Agricultura; Bruno Araújo (PSDB), das Cidades; Roberto Freire (PPS), da Cultura; e Marcos Pereira (PRB), da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

Os crimes mais frequentes descritos pelos delatores são de corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, e há também descrições a formação de cartel e fraude a licitações.

Resposta Eduardo Amorim

“O meu nome foi citado na “Lista de Fachin” junto ao da senadora Maria do Carmo (DEM/SE) e que o então prefeito João Alves (DEM/SE) teria solicitado R$ 600 mil para as duas campanhas em 2014. Gostaria de esclarecer que não autorizei ninguém a pedir valores para a campanha em meu nome, nunca tive qualquer contato e não conheço os empresários Fernando Luiz Ayres da Cunha Reis e Alexandre José Lopes Barradas – delatores da Lava Jato. nunca e em tempo algum pedi nada a Odebrecht e, repito, não autorizei ninguém a solicitar dinheiro e muito menos tive conhecimento disso. A minha campanha não utilizou recursos de caixa dois. E isso fica comprovado, inclusive, na denúncia divulgada, onde meu nome não aparece como requerente, nem recebedor destes recursos. Quem solicitou valores aos empresários para uso em caixa dois, que explique e responda pelos seus atos. Todas as doações da minha campanha foram oficiais, declaradas e encontram-se à disposição no site do TSE. No mais, estou à disposição da Justiça para possíveis esclarecimentos”

Resposta Maria do Carmo

A senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE) lamentou a forma açodada com que o Jornal o Estado de São Paulo divulgou, ontem (11), a “informação” de que ela seria alvo de inquérito aberto pelo ministro Edson Fachin, por ter sido “citada” por delatores da Lava Jato como suposta “beneficiária” com recursos de caixa 2 da construtora Odebrecht.

“Graças a Deus, a verdade foi rapidamente restabelecida”, disse Maria, ressaltando que soube da notícia no final da tarde “e fiquei extremamente surpresa e muito aborrecida, mas com a minha consciência bastante tranquila, até porque quem me conhece sabe que não sou afeita a esquemas de corrupção e nem construí a minha vida pública agindo com ilicitude”.

A senadora já havia solicitado à sua assessoria jurídica para acessar as informações a esse respeito de modo a respaldar a sua manifestação pública. “Já na madrugada, vi no Jornal da Globo News, o equívoco do Estadão, replicado por vários veículos de Sergipe e do país, ser desfeito, ao informar que eu não aparecia na tal lista do ministro Fachin. De igual modo, fez o site da Revista Exame que publicou hoje um desmentido do próprio ministro dizendo que não autorizou qualquer tipo de investigação contra mim, bem como contra outros parlamentares.

Maria ressaltou a importância do papel da imprensa no processo democrático, mas lamentou a forma açodada que alguns agem, gerando prejuízo à imagem de cidadãos, sobretudo, quando se trata de pessoas públicas que, comumente, são jogadas numa vala comum. “Graças a Deus, a verdade aparece e, como sempre, posso continuar olhando nos olhos das pessoas com a mesma seriedade, convicção e tranquilidade”, destacou.

A senadora sergipana, que está em seu terceiro mandato, negou qualquer benefício ilícito para as suas campanhas eleitorais. “Tudo o que recebemos foi legal e devidamente declarado à Justiça Eleitoral”, disse, acrescentando que “como cidadã e pessoa pública, sempre estive e estarei à disposição da Justiça para quaisquer esclarecimentos que se fizerem necessário”.

*Atualizada no dia 12/04/2016 para acréscimo de informações 

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