Taxistas criticam projeto de vereador que autoriza Uber em Aracaju
Política 14/12/2016 11h43 - Atualizado em 14/12/2016 12h35

Por Fernanda Araujo

Mobilizados na porta da Câmara de Vereadores de Aracaju (SE), nesta quarta-feira (14), os taxistas querem que os parlamentares não votem no novo projeto proposto pelo vereador Vinícius Porto (DEM) que autoriza o Uber em Aracaju, o qual começou a operar ontem, 13. A proposta ainda não entrou em pauta de discussão, segundo o presidente em exercício da Casa, Roberto Moraes (SDD), o que deve ocorrer na quinta-feira (15).

O democrata também foi autor de um projeto que virou lei municipal, proibindo o uso de aplicativos para transporte particular na capital, no final do ano passado, garantindo a ilegalidade do Uber. No entanto, o parlamentar voltou atrás e deve apresentar uma emenda que vai modificar a Lei. Vinícius Porto justifica que a autorização é desde que “seja um sistema fiscalizado para proteger o passageiro”, disse.

João Batista Soares da Silva, taxista há 26 anos, quer que qualquer aplicativo possa ser utilizado pelos taxistas e não por motoristas de transporte particular (placa cinza), considerados clandestinos. Para ele, a concorrência é desleal.

“Estamos querendo o respeito do vereador Vinícius Porto. Na hora que libera para carros particulares, acaba com a profissão de taxista. Vamos colocar que temos 400 mil taxis, se todos quiserem atuar como táxi? Esse aplicativo está interessado no dinheiro, ele quebra o sistema de táxi, e mais na frente a população vai pagar caro porque ele vai ditar a regra. Você não aceitaria que o cara fosse ser repórter sem estrutura, mas a gente só se incomoda quando é na nossa atividade. São 1.080 taxis em Aracaju, temos regras, se a gente fugir somos punidos, fiscalizados. A SMTT já sabe tudo sobre o táxi, do motorista de Uber não. Você pode ter mais carros a serviço do que a população”, diz João Batista.

Com o Uber já foi constatado que, para o mesmo trajeto feito por um táxi, exceto em horários de pico, o preço é bem abaixo. Alguns usuários apontam ainda que a qualidade do serviço surpreende positivamente em relação a dos táxis, mas os taxistas discordam. “Os carros de Aracaju, 90% são de novos a seminovos. Em questão de atendimento, traje e carro limpo você tem diversos, a questão de tratar mal ou cuidar bem do carro, isso encontra em toda profissão, mas a questão é o preço. Ficamos mais inferiores por causa do preço. Estamos na luta para que vereador não desfaça o que ele fez”, contesta Batista.

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Uber: veja a área de atuação e a estimativa de preço em Aracaju

Segundo o presidente do sindicato da categoria (Sintaxe), Gerson Ferreira, já foi cobrado uma posição à Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT). O órgão já sinalizou que vai tratar o Uber como transporte clandestino. O sindicato vai entrar com ação hoje na Justiça para impedir a atuação do aplicativo na capital.

“Dentro da forma da lei vamos combater esse aplicativo pirata. Ele (Vinícius Porto) é autor da Lei que hoje ampara o direito do taxista aracajuano e porque agora quer modificar a lei? Quer beneficiar o app? A categoria está aguardando o vereador, ele nos garantiu que vai nos receber, vamos fazer comissão para ouvi-lo, após a fala vamos avaliar. A sociedade tem que acordar para ver essa situação. Por que não há regulamentação desse aplicativo para o taxista atender a população? Eles preferem fazer à maneira deles, clandestinamente”, afirma Ferreira.

F5 News tentou falar com o vereador Vinícius Porto, mas durante a presença da equipe de reportagem o parlamentar não foi encontrado na Câmara. À reportagem da TV Sergipe, o parlamentar respondeu que conversou rapidamente com 15 taxistas da comissão sindical e justificou: “É o povo aracajuano quem vai definir se quer ou não o aplicativo. Vou obedecer a determinação do meu povo. Em 2015 o aplicativo estava chegando no país, criou uma série de conflitos. Agora não, foi regulamentado em várias cidades do país, em São Paulo é disciplinado, os motoristas do Uber pagam impostos, é fiscalizado, é uma realidade que não existia em 2015. Vamos discutir com a nossa equipe técnica. Só vou apresentar quando discutir com os taxistas e com a sociedade. A minuta está pronta, mas para chegar a aprovar aqui existe um tempo razoável. Hoje é ilegal, mas enxergando que a nível Brasil foi regulamentado por que não ser também em Aracaju?”, disse.

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