70% dos pontos de extração de minérios fiscalizados estão irregulares
FPI/SE constatou a irregularidade em dez municípios
Cotidiano 21/05/2018 17h30 - Atualizado em 21/05/2018 17h32

Setenta por cento dos pontos de extração de minério visitados pela Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) estavam irregulares (retirados sem a devida autorização) e causou, segundo a equipe Mineração, “um prejuízo estimado de mais R$ 1 milhão para os cofres públicos”.

Ao total, foram 44 alvos distribuídos pelas cidades de Aquidabã, Cedro de São João, Japoatã, Capela, São Francisco, Nossa Senhora da Glória, Muribeca, Malhada dos Bois, Nossa Senhora das Dores e Siriri.

Para o coordenador da equipe, o geólogo e fiscal da Adema Lucas da Hora Mendonça, com a extração ilegal de areia, argila, cascalho, saibro, arenito e granito, a União deixou de arrecadar taxas administrativas e de garantir sustentabilidade para o desenvolvimento da atividade mineral.

“Como o substrato ou bem mineral, foi retirado sem a devida autorização, é necessário que o infrator devolva à União o valor referente a cada material usurpado (apossado), gerando a ele ainda autos de infrações com números finais calculados através da legislação ambiental vigente”, explicou Lucas da Hora.

Entenda

A maior parte dos alvos foi no município de Japoatã (24). Dos 44 alvos fiscalizados, 12 estavam ativos, 24 paralisados, sete abandonados e um inativo. E entre as substâncias extraídas irregularmente 44% são caracterizadas como areia, 23% argila, 16% cascalho, 5% saibro, 2% arenito e 2% granito.

“Em muitos dos alvos visitados, não identificamos os responsáveis pelos passivos. Provavelmente eles devem ter sido avisados e se evadiram do local assim que souberam da fiscalização. Deixaram para trás várias ferramentas de trabalho. Fizemos a apreensão desse material e vamos dar o devido destino. As áreas foram mapeadas e vamos consultar o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), caso identifiquemos os proprietário dos terrenos, os números de autos de infração e notificação ainda podem aumentar”, explicou Lucas.

Autos de infração

Foram lavrados diversos autos pelos passivos ambientais ocasionados pela extração irregular de minério. O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) paralisou três pontos de extração, a Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema) emitiu 16 autos de infração e 17 autos de notificação. O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Sergipe (CREA) emitiu 11 autos de infração e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) emitiu dois termos de embargo e dois autos de infração também por extração ilegal de minério.

Desmatamento em APP

No município de Nossa Senhora da Glória, a equipe de Mineração encontrou, através de imagens aéreas, uma extração irregular de areia e desmatamento em uma Área de Preservação Permanente (APP).

A equipe Flora também visitou o local e mapeou a área. “Encontramos indícios de exploração mineral, com forte supressão de vegetação da caatinga. Além disso, na região há um riacho que, pelo odor muito forte, recebe dejetos da cidade. O alvo teve autuação das duas equipes”, disse o coordenador da equipe Flora, Ítalo Carvalho.

Impactos ambientais

A atividade mineradora consiste na extração de riquezas minerais das formações que compõem a estrutura terrestre. É uma das mais importantes atividades econômicas no Brasil, mas é preciso ressaltar que essa prática pode gerar sérios danos ao meio ambiente.

Entre as principais alterações nas paisagens e os impactos gerados pela mineração, destacam-se a remoção da vegetação, a poluição dos recursos hídricos (superficiais e subterrâneos) pelos produtos químicos utilizados na extração de minérios, a contaminação dos solos por elementos tóxicos, a sedimentação e poluição de rios pelo descarte indevido do material produzido não aproveitado (rochas, minerais e equipamentos danificados).

Equipe Mineração

A equipe de Mineração é composta pelos órgãos: Adema, CREA, DNPM, Ibama e Polícia Militar.

A FPI é coordenada pelos Ministérios Públicos Federal e Estadual com apoio do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) e 28 instituições parceiras.

Fonte: FPI

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