Alarme Disparado: dez carros são roubados por dia em Sergipe
Motoristas sentem o impacto da violência na hora de segurar o veículo
Cotidiano 30/10/2017 16h41 - Atualizado em 31/10/2017 09h27

Por Fernanda Araujo

O vídeo abaixo mostra uma cena que parece ter virado rotina em Aracaju (SE), o roubo de carros. Segundo dados estatísticos do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), de janeiro a setembro deste ano, quase três mil veículos foram roubados em Sergipe. Em média, dez automóveis são surrupiados por dia, a maioria na região metropolitana de Aracaju.

Para quem foi vítima, além do trauma, fica a sensação de impotência e insegurança. O homem que aparece nas imagens prefere não ser identificada. Ele diz que estava na porta de casa com o filho, se preparando para sair, quando foram abordados pelos marginais. Os bandidos entraram no imóvel, levaram tudo que podiam e fugiram levando o carro da família. “Tive medo de morrer. Só neste quarteirão foram quatro carros roubados em uma semana”, lembra.

De acordo com os dados do Detran, dos 2.928 veículos roubados, 1.261 foram recuperados, ou seja, menos da metade. O que não é encontrado, ou foi adulterado para venda ou foi parar em um desmanche, segundo a Divisão de Combate a Roubos e Furtos de Veículos (DRFV) da Polícia Civil.

O número de roubos registrado até setembro deste ano já ultrapassa os casos registrados no mesmo período do ano passado. Quando se compara com anos anteriores, a escalada desse tipo de crime no Estado fica ainda mais perceptível.


Infográfico: Will Rodriguez/F5News | Elaborado em 29/10/2017

A Polícia Civil defende a criação de uma lei estadual e, mais que isso, a aplicação da legislação nos moldes como vem ocorrendo em outros estados, com a soma de esforços dos órgãos de trânsito, policiais e fazendários, para a diminuição do comércio ilegal de peças de veículos, sobretudo, diante da constatação de que os desmanches ilegais tem sido pulverizado por diferentes pontos na zona urbana e rural.

"A possibilidade de se realizar o desmanche até mesmo em imóveis residenciais (principalmente no caso de motocicletas) faz com que esse tipo de atividade aconteça tanto na capital e região metropolitana, como nos municípios do interior. Para que se alcance resultados satisfatórios, impõe-se que o Estado desenvolva um trabalho em diferentes frentes, além do engajamento da sociedade, no sentido de não adquirir peças que não tenham origem lícita comprovada", acredita o delegado Hildemar Rios, da Divisão de Combate a Roubos e Furtos de Veículos (DRFV). 

A resolução 530 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), publicada em 2015, estabelece que podem ser desmontados veículos apreendidos que não tenham condição de retornar à circulação, que estejam irrecuperáveis após sinistro de grande monta, entre outras situações.

As peças vendidas precisam ser marcadas com etiquetas de identificação com número de série controlado pelo órgão de trânsito do Estado. Além de reduzir o número de roubos de veículos, a medida deve contribuir com a queda do preço dos seguros.

Custo da Violência

A preocupação do sergipano com o crescente número de roubos de veículos se reflete nas estatísticas da Superintendência de Seguros Privados (Susep) que apontam um salto de 9% no faturamento da seguradoras de automóveis no Estado, no primeiro semestre deste ano. Nos seis primeiros meses de 2017, o segmento movimentou R$ 104 milhões. No mesmo período do ano passado, o rendimento foi de R$ 95 milhões.

Gente como o operador de áudio Eduardo Menezes que trocou de veículo no mês passado e só retirou o carro novo da concessionária depois que contratou a proteção. “O gerente disse que levaria dois dias pra ficar tudo pronto, mas prefiro assim, a correr o risco de perder tudo que investi. Hoje em dia não dá para confiar, e com o seguro a gente fica mais tranquilo”, conta.

A seguradoras estão aumentando o valor do prêmio para seguro de automóveis em função do avanço da criminalidade. O corretor de seguros, Ygor Sydharta, explica que os preços das apólices não são fixos, mas dependem do risco que envolve, determinado dentre outros fatores, pelas áreas de circulação, ou seja, o local onde o automóvel dorme e a região em que trafega.

“O valor da apólice é calculado e dimensionado para aquela condição da região e o perfil do segurado. A seguradora não quer cobrar mais caro, mas para ter um resultado precisa buscar equilíbrio. A variação no preço é grande porque, às vezes, a pessoa opta por um seguro mais barato, mas na hora do sinistro ela não tem a cobertura que precisa e acaba não sendo atendimenta em sua necessidade”, justifica Ygor Sydharta.

Uma alternativa, conforme apresenta o corretor, é o chamado seguro Auto Popular. Regulamentado no ano passado, o produto permite o uso de peças de reposição não originais novas, similares às dos fabricantes. “Em algumas situações, peças que não sejam de segurança ou básicas, poderão ser recicladas”, acrescenta Sydharta.

Esse tipo de apólice mais em conta também é apontada como um dos instrumentos para combater mercado marginal, a chamada Proteção Veicular. “Em nenhum momento a proteção pode ser considerada como seguro, uma vez que, a pessoa não tem garantias em caso de um sinistro”, afirma o corretor. No entanto, a prática pode esbarrar na regulamentação dos ferros-velhos, que ainda não foi efetivada no Estado. 

 

Vídeo: Reprodução Redes Sociais
Fotos: Will Rodriguez/F5News

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