Almir Santana recebe homenagem do Ministério da Saúde
Cotidiano 04/12/2014 07h53Em alusão ao Dia Mundial da Luta contra a Aids, 1°de dezembro, o Ministério da Saúde homenageou grandes nomes que, ao longo desses 30 anos de descoberta da doença, contribuem significativamente para o enfrentamento da epidemia, além de levar informações sobre prevenção. O médico Almir Santana, gerente do Programa Estadual de DST/Aids da Secretaria de Estado da Saúde, foi um dos homenageados e é um dos personagens do livro "Os 30 anos da Aids", que relata experiências vividas por profissionais de saúde e ativistas. Um dos capítulos do livro mostrará os desafios enfrentados pelo médico sergipano, no início da epidemia em Sergipe nos anos 80.
Almir Santana recebeu o prêmio das mãos do Ministro da Saúde, Arthur Chioro. O primeiro foi na 14ª Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (Expoepi), em outubro, também em Brasília.
"Foi uma grande emoção receber esta homenagem, principalmente porque o trabalho no início foi um grande desafio. O preconceito era muito forte, até comigo mesmo, pois tive que abandonar meu consultório, como opção, para continuar no enfrentamento à epidemia aqui em Sergipe. Tanto famílias, quanto profissionais de saúde, rejeitavam as primeiras pessoas diagnosticadas com HIV. Em alguns momentos, sentimos desânimo e pensamos até em desistir. Mas, sempre surgem pessoas que nos incentivam a continuar, sejam eles voluntários, alguns gestores, colegas da Secretaria de Estado da Saúde e, principalmente, o desejo de ajudar aquelas pessoas que viviam com HIV/Aids", comenta Almir Santana.
Ainda de acordo com o médico, "a homenagem também aumenta a responsabilidade em criarmos novas estratégias para tentarmos conter o avanço do HIV, principalmente como os dados atuais estão mostrando na população jovem. Precisamos muito do apoio dos gestores, tanto da Saúde quanto da Educação. Nas escolas, precisamos começar o mais cedo possível a debater o tema Aids e as outras Doenças Sexualmente Transmissíveis".
A homenagem a Almir Santana foi feita diante de alguns trabalhos desenvolvidos pela equipe como a criação da Unidade Móvel Fique Sabendo, que leva o Teste Rápido para as populações mais vulneráveis (e que também participou da Copa do Mundo 2014, em Salvador, cidade sede, com grande sucesso e reconhecimento da Unaids - órgão da ONU ligado à Aids), o Camisildo, único veículo em forma de camisinha criado para ajudar de forma bem humorada a incentivar o uso da camisinha em períodos festivos.
Almir Santana também foi o criador do Bloco da Prevenção, que hoje é uma realidade nacional nos carnavais de várias capitais brasileiras e cidades do interior do Brasil, realiza campanhas de prevenção regionalizadas como a Campanha da Festa Junina, ação educativa da Igreja Católica, levando o tema Sífilis para ser abordado durante as Missas, com apoio da Arquidiocese de Aracaju, jogos educativos sobre Aids, Festival de Paródias, com a participação de professores e alunos das escolas, inúmeras palestras e capacitações para profissionais de Saúde e da Educação, criação de materiais educativos para públicos específicos e, principalmente, a luta contra o preconceito desenvolvendo ações de solidariedade junto às crianças soropositivas e pessoas vivendo com Aids.
Dados
De acordo com o novo Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, há cerca de 734 mil pessoas vivem com HIV e Aids hoje no Brasil. Deste total, 80% (589 mil) foram diagnosticadas. Desde os anos 80, foram notificados 757 mil casos de Aids no país. A epidemia no Brasil está estabilizada, com taxa de detecção em torno de 20,4 casos, a cada 100 mil habitantes. Isso representa cerca de 39 mil casos de Aids novos ao ano.
O coeficiente de mortalidade por Aids caiu 13% nos últimos 10 anos, passando de 6,1 caso de mortes por 100 mil habitantes em 2004, para 5,7 casos em 2013. Do total de óbitos por Aids ocorridos no país até o ano passado, 198.534 (71,3%) ocorreram entre homens e 79.655 (28,6%) entre mulheres. A revista britânica The Lancet, uma das mais importantes publicações científicas da área médica, divulgou em julho de 2014 um estudo mostrando que o tratamento para Aids no Brasil é mais eficiente que a média global e que as mortes em decorrência do vírus HIV no país caíram a uma taxa anual de 2,3% entre 2000 e 2013, maior do que os 1,5% registrados globalmente.
Em Sergipe, de 1987 até novembro de 2014, foram registrados 3.831 casos. A média anual de casos novos de Aids em Sergipe: 317 (em 2013) e 326 ( em 2014). Os óbitos em consequência da Aids foram 1.135. Foram diagnosticadas 98 crianças diagnosticadas, com 22 óbitos. A faixa etária mais atingida em Sergipe é de 20 a 49 anos. As cidades com maior número de casos são Aracaju, Socorro, Itabaiana, Estância, São Cristóvão, Lagarto.
Fonte: Agência Sergipe de Notícias

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