Após fuga,Sindipen vai pedir interdição do presídio de Glória à Justiça
Presos podem ser transferidos para unidade de Areia Branca, diz agente
Cotidiano 20/02/2016 14h09

Por Fernanda Araujo

Nos últimos anos ocorreram três rebeliões no presídio Regional Senador Leite Neto, localizado em Nossa Senhora da Glória, no Sertão de Sergipe. Na tarde da última quinta-feira (18), 22 detentos conseguiram fugir da unidade, utilizando um pedaço de madeira e uma corda feita com panos – a segunda fuga registrada naquele presídio em seis meses. Tudo isso foi favorecido pela fragilidade de infraestrutura, superlotação e o baixo efetivo de agentes penitenciários.

Por causa desses e outros problemas listados pelos agentes penitenciários é que o sindicato da categoria (Sindipen) vai pedir a interdição do presídio e a transferência dos presos para a unidade de Areia Branca que está com 95% da obra concluída. “Vamos dar uma alternativa, solicitar que todos os detentos de Glória sejam remanejados para o presídio. A capacidade dele é de 470 presos, então, praticamente é a quantidade de detentos que se encontram hoje no Presídio de Nossa Senhora da Glória”, afirma o presidente Luciano Nery.

A solução, encontrada pelo sindicato devido às situações recorrentes de fuga e rebeliões seria de curto e médio prazo. Caso a Justiça compactue com o Sindipen, de início a unidade não receberia mais detentos e o remanejamento in loco dos internos seria feito aos poucos. “

Esperamos que neste caso tenha o bom senso porque em primeiro lugar vem a vida dos agentes penitenciarios que diariamente são colocados em risco e, consequentemente, a segurança da própria sociedade. Com a fuga que ocorreu na quinta-feira a cidade de Glória praticamente fechou as portas. A população ficou totalmente a mercê”, observa Nery.

O agente justifica que a interdição é para evitar novas fugas e rebeliões, podendo levar a tragédias maiores com possível morte. “O governo não resolve, não realiza concurso público, não compra EPIs – Equipamento de Proteção Individual –, não paga as horas extras, a tendência é cada vez mais acontecer esse tipo de coisa”, diz o sindicalista.

O advogado do sindicato vai juntamente com a diretoria protocolar o pedido de interdição na próxima segunda-feira na Vara de Execuções Penais, que tem como juiz titular Helio de Figueiredo. “A VEC é específica para as unidades prisionais, tem autonomia, o juiz pode interditar de imediato, se ele quiser na segunda mesmo. Os motivos nós temos para isso já que o Governo do Estado não toma uma posição para resolver. É uma alternativa para solucionar essa situação tão caótica que se encontra na unidade”, argumenta.

Foto 1: arquivo F5 News

​Foto 2: Fernanda Araujo/arquivo F5 News

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