Após reintegração de posse, famílias ocupam terreno vizinho
Área fica nos limites de Aracaju e São Cristóvão
Cotidiano 10/11/2014 15h40

Por Aline Aragão

Após deixarem, por determinação judicial, na última sexta-feira (7), o terreno onde moravam há cinco anos, em uma região conhecida como Alto da Boa Vista, no Bairro Santa Maria, nos limites de Aracaju e São Cristóvão (SE), as 120 famílias agora cobram na justiça a garantia de receberem o auxílio moradia. Sem ter para onde ir, cerca de 50 famílias ocuparam outro terreno, que fica em frente ao que foi desocupado. O restante foi para casa de parentes. 

Diante do impasse sobre de quem é a responsabilidade, se da prefeitura de São Cristóvão ou de Aracaju, o líder comunitário Gilberto Oliveira disse que para as famílias isso não interessa, o importante é que todos sejam amparados. “A ideia era permanecer no terreno, mas como fomos forçados a sair e jogados ao relento, queremos agora que os responsáveis tomem um posicionamento, e garantam pelo menos o auxílio moradia”, explicou.

Gilberto disse que a Defensoria Pública entrou com ação pedindo que seja pago o auxílio moradia, mas que as famílias só vão esperar uma resposta até a próxima sexta-feira (14), caso contrário, o grupo irá se pronunciar por intermédio de manifestações. “Já está decidido, se não tivermos uma resposta favorável, vamos fechar uma grande avenida em Aracaju e invadir o prédio da prefeitura nas duas cidades”, disse.

Segundo o Defensor Público Miguel Cerqueira, a ação foi protocolada em 12 de maio deste ano, e que por se tratar de uma área limítrofe entre os municípios de Aracaju e São Cristóvão, cobra das duas prefeituras que seja providenciado, provisoriamente, um local para as famílias e que realize a concessão do auxílio moradia. Ainda segundo o defensor, a ação também cobra que o estado faça um estudo da área, e decrete como área e interesse público para construção de moradia popular.

A assessoria de imprensa da Prefeitura de São Cristóvão informou que está à disposição das famílias para realizar o cadastro para o benefício do auxílio moradia, mas tem encontrado resistência das próprias famílias que se recusam a morar na cidade.

Já o líder comunitário disse que sentiu má vontade por parte das assistentes sociais de São Cristóvão, que estiveram presentes na reintegração de posse, e acusa as profissionais de terem tentado induzir as respostas das famílias. “Elas ficaram na tenda montada pela polícia, passaram a manhã toda lá, e quando foi perto do meio dia vieram dizer que tinham cadastrado apenas 30 famílias”, disse Oliveira.

Ele negou que as famílias ficaram refratárias ao cadastro por não quererem ir para São Cristóvão. “Essas famílias não têm para onde ir; se for pra ter um teto, vão para qualquer lugar, pois não existe lugar pior do que esse aqui, ao relento, sem água e sem energia. Agora, se você chega perguntado para onde eu prefiro ir, vocês está me dando duas opções para eu escolher, e foi o que elas fizeram aqui, perguntaram se preferia Aracaju ou São Cristóvão”, reclama.

Após o fechamento da matéria voltamos a falar como o defensor público Miguel Cerqueira, que informou que foi julgado no começo da tarde de hoje, o agravo de instrumento sobre a responsabilidade da área, dando a competência para o município de São Cristóvão. “Agora vamos esperar que o juiz conceda a liminar”, disse.

Foto: Defensoria Pública

 

*Alterada para acréscimo de informações.

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