Aracaju lidera ranking da violência sexual no Nordeste, diz pesquisa
Cotidiano 26/11/2017 11h45Por Aline Aragão e Will Rodriguez
Uma pesquisa divulgada essa semana pela ONU Mulheres em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC) revela que três em cada 10 mulheres nordestinas com idades entre 15 e 49 anos já foram vítimas de violência doméstica ao longo da vida e uma em cada 10 (17%) foi agredida fisicamente pelo menos uma vez na vida.
As mulheres foram questionadas sobre a ocorrência de violência emocional, física e sexual, tanto ao longo da vida como nos últimos 12 meses. Os dados fazem parte da Pesquisa Condições Socioeconômicas e Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, que entrevistou 10 mil mulheres, representativas de 5 milhões de mulheres que vivem nas capitais nordestinas.
Salvador, Natal e Fortaleza lideram o ranking negativo da violência contra a mulher na região, com prevalência de violência doméstica física de 19,7%, 19,3%, e 18,9%, respectivamente. Mas quando o assunto é violência sexual, Aracaju aparece em primeiro lugar com 4,31% dos casos nos últimos 12 meses.
A capital sergipana também é destaque quando o assunto é incidência de casos, ficando no terceiro lugar do ranking com 46,67%, atrás de Maceió na liderança com 68,89% e Recife, com 53,33%.
O estudo mostra ainda que as crianças também são expostas à violência dentro de casa. Em Aracaju, 62,1% das crianças presenciaram quando mulheres foram agredidas dentro do domicílio. E em cerca de 15,5% dos casos, crianças também foram alvos das agressões.
O estudo mostrou ainda que 6,2% das mulheres sofreram agressão física durante alguma das gestações ao longo da vida, seja por parte do parceiro atual ou do ex-parceiro (o mais recente). Natal apresentou a maior prevalência de violência doméstica na gravidez, aproximadamente 12%, enquanto Aracaju obteve uma prevalência de 4,3%, ficando em último lugar.
Sem medo
Na visão da delegada Renata Aboim, que atua na Delegacia da Mulher de Aracaju (SE), há um aumento nos registros nos últimos meses, indicando que a mulher está tomando coragem para denunciar o agressor, motivada pela Lei Maria da Penha.
“As pessoas passaram a ver que existia medida protetiva, que homens eram presos por descumprirem a medida ou por xingar a companheira em caso de flagrante”, disse em entrevista recente ao F5 News.
No entanto, segundo Renata, preocupa o fato de que também é grande o número de mulheres que desistem da denúncia durante o andamento do inquérito.
“Normalmente essas mulheres retornam à delegacia por terem sido mais uma vez agredidas pelos companheiros. Desistir no meio do caminho faz com que o agressor ganhe mais força e volte com mais violência”, observa Aboim.
Em casos de violência, qualquer pessoa pode denunciar de forma anônima através dos telefones 181 ou 180.

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