Aracajuano insiste em descartar lixo em locais inadequados
Cotidiano 03/06/2017 11h39 - Atualizado em 03/06/2017 11h56Por Will Rodriguez, Nathália Passos e Sthephani Bispo
As últimas semanas foram marcadas por transtornos causados pela chuva em Aracaju. Nas redes sociais, a capital voltou a ser apelidada como “Alagaju”, numa referência às inundações verificadas em poucos minutos de precipitação. Porém, um dos motivos desses alagamentos é o despejo de resíduos em vias públicas, rios e terrenos baldios.
Além dos danos ao meio ambiente e do risco de proliferação de doenças, o descarte irregular de lixo tem um custo alto para o Município. De acordo com a Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), desde o início do ano, cerca de 3.600 toneladas de entulhos foram coletadas pelas ruas da capital sergipana. A coleta de cada tonelada custa R$39 e a conta vai parar no bolso do próprio cidadão.
Em 2015, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema) mapeou 300 pontos de descarte irregular de lixo na capital. Dois anos depois, o novo secretário da pasta, Augusto Cesar Viana, diz que não há um dado atualizado, mas acredita que esse número seja bem maior, apesar das ações educativas e de fiscalização.
No ano passado, a Sema contabilizou mais de 600 fiscalizações, dessas 35% estavam relacionadas ao descarte impróprio de resíduos. A Secretaria, no entanto, esbarra na dificuldade para identificação dos responsáveis pelo despejo – a maior parte, carroceiros - e também no fato de que, quase sempre, ele é feito durante a noite, quando as seis equipes de fiscais não estão nas ruas.
Ao longo desta semana, F5 News percorreu as ruas da capital e, sem dificuldade, encontrou diversos pontos de acúmulo do lixo da Zona Norte à Zona Sul. A situação se agravou nos últimos meses por conta da ausência de um contrato com a empresa de coleta para esse tipo de serviço, que foi restabelecido há pouco mais de um mês. O internauta Eduardo Menezes flagrou o momento em que um carroceiro despejava entulhos no bairro Farolândia.
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O resultado prático dessa atitude é o entupimento de canais que deveriam servir para escoar as águas das chuvas. “O lixo jogado no canal vai para o rio, muitos deles, que poderiam ter suas águas captadas para outros fins, não podem porque ficam poluídos”, acrescenta o assessor da Emsurb, Augusto Aranha.
Para tentar inibir a atitude irresponsável, a Sema tem multado aqueles que são flagrados jogando lixo onde não deve. O valor da penalidade varia de 500 a 50 mil reais, podendo chegar a 300 mil reais, caso a área afetada seja de preservação permanente, como manguezais, por exemplo.
“Há também a ideia de fazer um convênio com o Detran para que quando os veículos forem flagrados descartando resíduos irregularmente sofram restrições no licenciamento, o que já está previsto no Código Nacional de Trânsito, ou seja, a pessoa vai pensar duas vezes antes de descartar”, acrescenta o secretário do Meio Ambiente.
Outra aposta da Sema para mudar o comportamento do aracajuano é a educação ambiental. “Todo processo de mudança ocorre por meio da educação, temos reforçado a nossa Coordenadoria de Educação Ambiental com teatro, trabalhos nas escolas, para mudar a mentalidade da sociedade”, afirma Viana.
Uma solução que também está sendo estudada pela Secretaria é a instalação de ecopontos, espaços que recebem pequenas quantidades de entulhos, onde é feita a destinação correta por meio de ações como a coleta seletiva ou o reaproveitamento. Em Aracaju, não há nenhum desses pontos fixo e, de acordo com o secretário, ainda não é possível prever quando eles serão instalados na cidade.
Fotos: Aline Aragão e Fernanda Araujo/F5News

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