Arte sacra do século XVII é restaurada em Sergipe
As imagens religiosas são da Paróquia Nossa Senhora do Socorro
Cotidiano 24/08/2018 14h51 - Atualizado em 24/08/2018 16h28

Após atuação do Ministério Público Federal em Sergipe, foi possível restaurar 10 imagens da Paróquia Nossa Senhora do Socorro, localizada no município de Tomar do Geru, distante 130 km da capital. A igreja, construída em 1688, é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O trabalho de restauração das peças durou três anos e foi executado em um ateliê autorizado pelo Iphan, sediado no município de São Cristóvão. O serviço custou R$ 100 mil, pago por empresa mineradora após termo de ajustamento de conduta realizado com o MPF/SE.

Segundo o atual pároco, o padre José Adinaldo Pereira, a igreja possui 330 anos e é herança da passagem dos jesuítas pela região no século XVII. “Foi construída num esforço conjunto entre os jesuítas e os índios kiriris, o que se reflete na representação das imagens, que, diferentemente das representações tradicionais, possuem explícitos traços e referências indígenas”, explicou. As obras da igreja foram produzidas em madeira e terracota (argila) e têm a mesma data da igreja, o ano de 1688.

“Quem visita a igreja, que está belissimamente adornada pelas imagens restauradas, pode perceber que os índios talharam anjos, com olhos amendoados e vestes representativas da cultura indígena”, afirmou a procuradora da República Lívia Tinôco. “As imagens revelam a nossa cultura brasileira sincrética, nascida do contato e de um convívio que deixou as marcas da identidade, da ação e da memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”, acrescentou.

Compensação ambiental 

 O dinheiro para pagar a restauração das esculturas sacras foi proveniente de empresa mineradora que funcionava sem licença ambiental e minerária. Além disso, havia dano ambiental com o barulho causado pelas explosões que praticava. Por isso, para fazer a compensação, a empresa acordou na aquisição de decibelímetros, aparelhos utilizados pelo Pelotão Ambiental da Polícia Militar de Sergipe para medir a poluição sonora.

No acordo, a mineradora também ficou responsável por contratar um profissional engenheiro de minas e revisar o plano de lavra e de fogo da pedreira, de modo que seja prevista a recuperação do ambiente degradado pela exploração dos recursos minerais.

“O MPF resolveu dois problemas que havia Tomar do Geru a um só tempo: o funcionamento ilegal da pedreira, que afetava a população e meio ambiente, e o péssimo estado de conservação dos bens culturais tombados da Igreja Nossa Senhora do Socorro, que é um testemunho expressivo da presença jesuíta em Sergipe e da influência indígena na produção da arte sacra no século XVII”, conclui a procuradora Lívia Tinôco.

Fonte: Ministério Público Federal 

 

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