As mãos por trás do alinhavar
Cotidiano | Por Cecília Oliveira 29/06/2018 11h07 - Atualizado em 29/06/2018 11h27As costureiras carregam um papel fundamental nos grupos juninos, elas confeccionam e criam as vestimentas e os adereços usados pelos dançarinos. Os vestidos juninos ganham destaque nas apresentações e complementam o encanto para o público, mas antes dos trajes caírem nas graças da população, as verdadeiras protagonistas, as costureiras, estão no modo de criação e inspiração.
Cada peça ganha vida a partir de sua imaginação e o sonho torna-se realidade. E para elas, o orgulho de ver a sua obra de arte esbanjando beleza nos palcos não tem preço. É esse o momento que elas se encontram com a autoestima, mulheres negras de baixa renda recebem atenção pelo seu talento e compreende sua importância.
Taty Ton começou a costurar por causa de sua mãe, observando-a surtiu a vontade de começar o ofício, assim como ela, Taty entrou no mundo das costuras juninas. Taty não sentia a confiança de costurar sozinha, assim começou a ajudar a mãe nos vestidos. Foi só em 2011 que ela começou profissionalmente, com roupas femininas e masculinas.
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Em 2013, Taty se casou e ensinou ao seu marido o mundo das agulhas, tecidos e tesouras. Hoje os dois costuram, Taty com os vestidos e o marido com as anáguas. O local de trabalho é sua casa, em um quartinho simples, repleto de rendas, bordados e fitas. Apesar de só terem visibilidade no período junino, o trabalho é anual, pois são necessários dias e noites de dedicação e esforço.
“No começo trabalhava em uma empresa multinacional e intercalava o emprego com o trabalho de costura em casa. Atualmente vivo só com a costura, apesar de todas as dificuldades financeiras e sociais, é um trabalho muito importante e gratificante; São noites de sono perdidas, mas que valem a pena no final”.
A desigualdade social existente nesta classe é mais uma barreira a ser enfrentada. Ter o seu trabalho visto e valorizado traz um prestígio que vai além dos aplausos aos dançarinos, apesar da celebração só acontecer por um período específico (o mês de junho), para elas é importante festejar o ano todo, é a vida de cada uma. É a identidade cultural de uma região.

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