Atendimento psiquiátrico em Aracaju está à beira de um colapso
Alegação de clínicas é que Prefeitura não faz os devidos repasses
Cotidiano 29/11/2012 12h00

Por Elisângela Valença

Caos. Esta é a realidade de quem precisa de atendimento psiquiátrico pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Aracaju. Uma discussão sobre repasse de verbas e pagamentos vem se arrastando desde o meio do ano entre a Prefeitura de Aracaju (PMA) e a Clínica Santa Maria.

Segundo Suzana Walois, enfermeira da Clínica Santa Maria, a Prefeitura está segurando a verba do Governo Federal que vem para a saúde mental. “Eles não estão repassando a verba alegando que não há um contrato para o atendimento e que estamos com certidões negativadas, mas isso não tem nada a ver”, disse Suzana.

A Clínica Santa Maria tem 130 vagas e cerca de cem funcionários. “Estamos com 66 leitos ocupados e a Prefeitura não está mandando pacientes para cá como uma forma de represália por termos pedido o bloqueio de contas para tentar garantir o pagamento”, disse Suzana. “Recebemos a informação de que eles recolheram as guias de encaminhamentos para que os pacientes não venham para cá”, acrescentou.

A Assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal de Saúde não quis se pronunciar sobre o caso. Informou apenas que estão produzindo uma nota técnica que será divulgada para a imprensa.

Enquanto isso, quem está no limite é o Hospital São José. Esta unidade de saúde é que faz o atendimento de urgência e emergência psiquiátrica. “Nós atendemos ao paciente em crise. Ele fica conosco até passar a crise, quando ele é encaminhado aos CAPS [Centro de Atendimento Psicossocial], clínicas para internamento, para que o tratamento seja continuado de maneira adequada”, explicou Carlos Vieira, diretor clínico do Hospital São José.

O Hospital São José possui dezesseis vagas, entre leitos masculinos, femininos e infantis. “Hoje, nós temos dezesseis pacientes homens. Se tiver um atendimento agora, seja homem, mulher ou adolescente, não teremos onde acomodar”, disse o diretor. “Os pacientes que estão conosco já deveriam estar numa clínica, em tratamento”, acrescenta.

O atendimento psiquiátrico do Hospital São José funciona em co-gestão. “Há uma equipe da Prefeitura que atua aqui dentro, com administrador, psicólogo, assistente social, entre outras funções. São eles que cuidam do encaminhamento para outras unidade”, explicou o diretor.

Ele não confirma a informação de que a Prefeitura tenha recolhido as guias de encaminhamento, mas diz ter ouvido comentários de que havia uma ordem para não encaminhar pacientes às clínicas. “Se esta ordem existe, quero por escrito. Esta situação já deveria ter sido resolvida. Nós estamos lotados e não temos como receber mais ninguém. É um caos iminente. Enquanto isso não se resolve, quem sofre é o paciente e a família”, disse o diretor clínico.

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