Audiência discute tratamento para pacientes com câncer de mama em SE
O debate cobrou melhorias no tratamento oferecido pelo SUS
Cotidiano 16/06/2015 19h25

Por Aline Aragão

A audiência pública realizada na tarde desta terça-feira (16), na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), foi realizada pela Associação dos Amigos da Oncologia (AMO) em parceria com a Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), e discutiu o acesso a tratamentos para câncer de mama avançado no Sistema Único de Saúde (SUS).

A sessão foi presidida pela deputada Silvia Fontes, presidente da comissão temática de saúde da Alese, e contou com a participação da deputada Maria Mendonça e dos defensores públicos Vinícius Vinhas e Saulo Lamartine, que abordaram a realidade do paciente usuário do SUS. A última palestra foi proferida pelo assessor de relações governamentais da Femama, Thiago Turbay, que falou sobre a competência do Estado no acesso ao tratamento do câncer no SUS.

A deputada Silvia Fontes destacou a importância da discussão do tema na Alese e disse que a saúde é uma preocupação de todos. “Como membro da comissão, pretendo trazer vários debates que dizem respeito ao SUS. Nosso objetivo hoje é trazer essa problemática para que a sociedade entenda e perceba o quanto é necessário unirmos forças para que o SUS possa cada vez mais tratar melhor os seus pacientes”, disse.

O médico oncologista Roberto Gurgel falou sobre os desafios para a incorporação de novas tecnologias no SUS. E o médico oncologista Nivaldo Farias Vieira falou sobre os tratamentos que deveriam estar disponíveis na saúde pública e não estão. Ele destacou que, além dos motivos já conhecidos, que contribuem para as estatísticas da mortalidade de câncer, como diagnóstico tardio e dificuldade de acesso ao sistema de saúde; a falta de medicamentos de última geração, especialmente para pacientes em estado avançado da doença, tem contribuído e muito com os números.

Segundo o médico, é possível postergar a quimioterapia com o uso de medicamentos de tecnologia avançada e com isso prolongar e garantir melhor qualidade de vida. Mas esses medicamentos não estão disponíveis na rede pública.

Outro problema apontado pelo oncologista é que a saúde pública não consegue cumprir a lei que já existe, e de que forma então acrescentar algo mais? Segundo Vieira, “por um lado temos uma lei bastante moderna que contempla muita coisa, mas que ainda não é cumprida; por outro, essa lei pode ser complementada”. “Eu tenho um questionamento importante a fazer, e gostaria de fazer em voz alta: É hora de nós chegarmos ao patamar de Canadá e Estados Unidos ou é hora de revermos os patamares que nos propusermos a anos e que não conseguimos alcançar ainda?", questiona o médico.

A audiência contou também com o depoimento de uma paciente convidada pela AMO. Dona Valdete Vieira tem 52 anos, e há três anos faz tratamento contra o câncer. Em seu depoimento ela disse que o problema maior não tem sido a doença e sim as dificuldades para conseguir um tratamento adequado na saúde pública. “O tratamento é muito difícil, você morre e o SUS não libera nada, sem falar dos problemas estruturais; em nosso estado só existem dois equipamentos de radioterapia, enquanto que vivem quebrados, quando não é a máquina que quebra, são os remédios que faltam. E como é que a gente vai combater a doença sem o remédio? Nós precisamos de ajuda e o Estado não cumpre com o papel que deveria”, lamenta.

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