Auditoria confirma problemas na regulação de pacientes oncológicos em SE
Cotidiano 07/12/2017 15h10 - Atualizado em 07/12/2017 18h57

Por Fernanda Araujo

O resultado da auditoria na área da Oncologia nos maiores hospitais públicos de Sergipe, o Cirurgia e o de Urgência (Huse), em Aracaju, foi apresentado nesta quinta-feira (7) durante o Seminário Todos Contra a Corrupção no Tribunal de Contas do Estado. Os auditores apontam uma série de problemas considerados graves nas unidades de saúde da capital, boa parte no que diz respeito à falta de gestão.

Após um estudo prévio de mapeamento de risco feito pela CGU que serviu como diagnóstico inicial para atuação da auditoria, segundo o auditor da CGU Leonardo Nascimento, foram identificadas situações graves durante os quatro meses de trabalho de campo, com destaque para a falta de regulação ao acesso dos pacientes aos tratamentos de radioterapia, quimioterapia e cirurgias oncológicas, além de falta de gestão no controle de estoque.

“Hoje não há uma transparência em como é feito esse acesso, muitas das cirurgias ficam nas mãos de cada médico, ao invés de ter uma fila única e transparente. No Huse não há sistema informatizado de controle de insumos e de medicamentos, isso gera a interrupção dos tratamentos e cirurgias porque faltam equipamentos baratos, como luvas e máscaras cirúrgicas”, afirma Nascimento.

A auditoria ressalta ainda a demora dos pacientes terem acesso a tratamentos. “Uma média de espera pela radioterapia é de 4 meses nos dois hospitais, de cirurgia oncológica a média de dois meses, urológica é oito meses”, destaca Leonardo Nascimento.

A auditoria começou desde 2015 em conjunto com equipes da Controladoria Geral da União (CGU), da Procuradoria, e dos Tribunais de Contas da União e do Estado. O seminário foi realizado pelo Fórum Permanente de Combate a Corrupção de Sergipe (Focco).

Os mesmos problemas são denunciados constantemente pelas entidades de apoio ao paciente com câncer, entre elas a Avosos. Segundo o presidente Wilson Melo, a falta de medicamentos, exames e a precariedade das instalações nos hospitais são observadas diariamente pelos pacientes. “Algumas crianças morrem por infecção e não pela doença. Espero que as autoridades possam realmente solucionar ou amenizar a dor e o sofrimento dos pacientes”, diz.

O relatório já foi objeto de audiência com representantes da Saúde no Estado e dos hospitais, parte dele foi utilizado numa ação judicial proposta recentemente pelo procurador Ramiro Rochemback envolvendo o Cirurgia. De acordo com o procurador Geral do MPF, Heitor Soares, o próximo passo será discutir estratégias com os órgãos de controle para corrigir as irregularidades e acompanhar as ações no próximo ano juntamente com o MPE.

A partir de janeiro a gestão dos recursos que eram repassados ao Cirurgia pela Secretaria Municipal de Saúde, passa a ser do Estado. Em audiência na Justiça Federal, na segunda, o hospital se comprometeu a normalizar o atendimento em 48 horas. A direção do hospital, equipes médicas e fornecedores estão reunidos desde quarta-feira (6) para fazer um acordo e voltar o atendimento, que esteve paralisado.

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