Autismo: uma questão de conscientização
Cotidiano 04/04/2014 16h30

Por Fernanda Araujo

O Dia Mundial do Autismo é lembrado em 2 de abril, a partir da iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) que, em 2007, criou a data com a proposta de conscientizar e chamar a atenção sobre as pessoas portadoras do *TEA – Transtorno do Espectro Autista. Esse transtorno recentemente chegou a ser tema de novela da Globo (o que gerou polêmica pelas características incertas da personagem, segundo especialistas), no entanto, a doença ainda é pouco conhecida por uma grande parcela da sociedade. E o preconceito do desconhecido ainda existe, tanto da sociedade quanto no próprio ambiente familiar.

Entidades beneficentes em Sergipe têm se dedicado ao máximo a mostrar o quanto o autismo pode ser convivido e integrado à sociedade. Entre elas, a Associação de Amigos do Autista de Sergipe (AMAS), a Associação de Pais e Amigos dos Autistas (APASE) e o Evoluir, centro de desenvolvimento da criança autista pioneiro no estado, que tem como uma das fundadoras e atual diretora Andreia Amorim, mãe de uma menina de seis anos autista. O Evoluir foi fundado em outubro de 2013 por 20 pais de autistas, após conhecerem um centro especializado em São Paulo com todas as crianças em desenvolvimento pleno, independente, com linguagem pragmática e acompanhando o currículo escolar. A meta agora é conseguir convênios e sensibilizar governantes para também abrir as portas aos carentes.

“Há muito tempo estamos estudando sobre o autismo, há cerca de um ano alguns pais estavam com o programa **TEACCH com os filhos, só que de forma fragmentada e nem todos os profissionais atuavam com esta abordagem. Iniciamos nossas atividades com as crianças no dia 10 deste mês e com capacidade de atendermos 30 crianças por turno. Iremos ofertar no mínimo três dias de intervenção por semana e no máximo cinco dias por semana”, diz Andreia.  A sede, com 400 metros quadrados, funciona com completa equipe multidisciplinar como professores de natação, música, arteterapia, horta e culinária com supervisão dos especialistas de São Paulo.

Infelizmente, segundo ela, muitos ainda acreditam que o autista tem debilidade mental. No entanto, autistas são extremamente inteligentes, amorosos e humanos, e têm total condição de ter uma vida plena, independente e feliz, ter relacionamento amoroso, apesar de existirem casos com co-morbidades associadas que precisam de maior atenção. “É preciso entender que eles têm um funcionamento lógico e que possuem questões sensoriais fortes e presentes como sensibilidade a barulhos, luz. Possuem dificuldade de comunicação, socialização e interesse restrito. É preciso saber desenvolvê-los e dar oportunidades adequadas”, afirma Andreia.

Dificuldades

Entre as dificuldades encontradas pelas famílias dos autistas, há a pedra no caminho: encontrar escolas que acreditam no potencial dessas crianças e as estimulem de forma adequada. “Algumas escolas do nosso país abrem as portas porque a lei (Lei Berenice) manda, mas serve apenas como socialização. Alguns autistas não têm oportunidade de um tratamento adequado e ficam com comportamentos inadequado para a sociedade”, diz Andreia. Para ela, os pais devem intervir quanto mais cedo for percebido o baixo desenvolvimento da criança, e não esperar pelo diagnóstico.

Estudos

Segundo a neuropediatra, Débora Prado, a causa do autismo ainda é desconhecida, sendo que centenas de estudos têm tentado desvendar os fatores genéticos associado à doença, que aparece de forma leve, moderada e severa, além das co-morbidades associadas. De acordo com a médica, no Brasil a estimativa é de que há 2 milhões de autistas, e no mundo, atualmente o autismo afeta, em média, uma em cada 68 crianças.

“O autismo é um distúrbio de desenvolvimento complexo, com graus variados de severidade e de manifestações clínicas. A adesão, a garra dos pais, assim como a integridade familiar são o melhor preditivo de prognóstico favorável. A dica para os pais é amor, apoio e aceitação”, diz a especialista.

A informação ainda é que atualmente o diagnóstico da síndrome já pode ser dado a partir dos 18 meses de vida. Os sintomas se baseiam em três eixos: primeiro o relacionamento interpessoal e social que tende ao isolamento; da comunicação verbal e não verbal; e do comportamento com interesses e atividades restritas, repetitivas e estereotipadas. E o tratamento se baseia no acompanhamento multidisciplinar, juntamente com uma gama de profissionais, entre fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos com terapias cognitivas, musicoterapia, e outros.

*O TEA – Transtorno do Espectro Autista – engloba o Autismo, a Síndrome de Asperger e o Transtorno Global do Desenvolvimento Sem Outra Especificação.

** Programa Teacch – Treatment and Education of Autisticand Related Communication Handicapped Children – é um programa especial de educação talhado para as necessidades individuais de aprendizado da criança autista baseado no desenvolvimento do cotidiano. O método foi desenvolvido na década de 60 no Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina na Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos. A prática da metodologia Teacch foi conhecida por meio de observações do trabalho realizado em uma instituição educacional brasileira e de entrevistas com os profissionais envolvidos nesse trabalho.

Com informações do Universo Autista

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