Autistas ainda enfrentam falta de políticas públicas e preconceito
Cotidiano 02/04/2016 08h00Por Fernanda Araujo
Conhecido cientificamente como “Transtornos de Espectro Autista” –TEA, o autismo é um problema no desenvolvimento que geralmente aparece nos três primeiros anos de vida e compromete as habilidades de comunicação e interação social, mais claramente perceptível quando há dificuldade na aprendizagem e no relacionamento, por exemplo. A cada 110 crianças, uma tem o diagnóstico de autismo. Cerca de 70 milhões de pessoas no mundo são autistas e se estima que o autismo atinja 2 milhões de brasileiros. Mais de 150 mil casos são registrados por ano no país.
Em Sergipe, ainda não há dados específicos do número de autistas, e a forma como a deficiência é encarada se tornou um desafio constante. Segundo a Associação de Pais de Autistas do Estado de Sergipe (Apase), investimento em políticas públicas para os autistas no estado seria importante para contribuir financeiramente com as instituições que acolhem essas pessoas e na conscientização da população.
“Faltam políticas públicas e ainda existem preconceitos por falta de conhecimento. Nesse 2 de abril – Dia Mundial de Conscientização do Autismo – estamos dizendo: menos preconceito e mais amor, que é tudo o que autista precisa”, afirma a presidente da Apase, Griziele Santana (ao lado).As limitações para a inclusão social existem, inclusive no mercado de trabalho, mas os pais de autistas defendem ser possível que eles tenham uma vida normal, desde que recebam mecanismos para desenvolver as habilidades e a interação social desde a infância até a fase adulta.
“As terapias ocupacionais, com fonoaudiólogo e psicólogo auxiliam nesse processo. Todos os autistas são inteligentes, na verdade é preciso que os terapeutas descubram onde está a deficiência de cada autista para que ele seja eficiente no mundo social”, explica Aduilson Almeida (ao lado), da Apase.
Além disso, segundo Griziele Santana, as escolas públicas e particulares de Sergipe ainda não estão preparadas para receber a criança ou adolescente autista. “Agora temos uma lei que diz: além de não poder negar vaga, toda a escola deve ter uma acompanhante para o autista, mas no estado ainda se está engatinhando, mesmo sendo um direito. Cada autista é único, vai do leve ao severo, é particular de cada autista, são muito imperativos, tem a questão sensorial que é muito ativa. Muitos frequentam a escola regularmente, mas alguns não. Meu filho agora está mordendo as cadeiras, por isso é preciso um acompanhante”, ressalta.
Falta de apoio
Além disso, falta apoio financeiro. A presidente pede ajuda ao poder público e aos empresários para contribuir com o Centro de Abordagem à Pessoas Autistas do Estado de Sergipe (Capazes), com sede em Aracaju, que passa por situação financeira delicada. O Capazes atende crianças e adolescentes de 3 a 17 anos.
“É um trabalho estudado, amado, o custo é alto para pagar terapeutas, quem mantêm são os próprios pais. Queremos trazer mais crianças, o tratamento tem que ser para todos e não somente para quem tem condições financeiras. Em Arapiraca (Alagoas), o centro de autismo é mantido pelo Estado, gratuito, é isso que queremos para Aracaju”, disse em um discurso emocionado na Sessão Especial na Assembleia Legislativa realizada pelo vereador Lucas Aribé (PSB) na sexta-feira (01), com a presença de pais de autistas.

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