Bancários podem fazer greve se bancos não apresentarem contraproposta
Cotidiano 15/09/2014 17h08

Por Fernanda Araujo

“Os bancos não querem ceder e não atendem as reivindicações. Desde a última semana e dos meses de julho e agosto que nós estamos em negociação, já tivemos quatro rodadas, cada uma de dois dias de duração e não se chega a um entendimento”, afirma Ivânia Pereira, diretora de comunicação do Sindicato dos Bancários de Sergipe (Seeb/SE).

A reclamação da bancária reflete a de todos os demais funcionários, segundo ela, devido à postura intransigente dos bancos que não atendem as reivindicações da categoria, entre elas, os 12,5% de reajuste da Campanha Salarial 2014/2015, correspondente a inflação e mais 5% de ganho real; valorização dos pisos salariais e Planos de Cargos e Salários; além das cláusulas de condições de trabalho e saúde. Para amanhã (16) e quarta-feira está prevista mais uma rodada de negociação.

Pode haver uma paralisação nacional caso a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) não atenda os prazos das negociações estabelecidos entre bancos e bancários. Vários atos públicos serão realizados nesta semana até sexta-feira (19), prazo final em que os banqueiros se comprometem a apresentar uma contraproposta global, incluindo todos os temas abordados na pauta.

Segundo a diretora, muitos bancários têm adoecido por conta das pressões do trabalho e do estabelecimento de metas inatingíveis. “Entram em depressão, síndrome do pânico, lordose e outras doenças relacionadas ao trabalho”. Além disso, ela afirma que sofrem assédio moral, justamente por não conseguirem atingir essas metas. Para o Seeb a melhor forma de reduzir essas pressões é realizar um acordo em que os gerentes passem a acompanhar diariamente o trabalho dos funcionários, para saber os motivos pelos quais metas não foram atingidas.

“Que os gerentes passem a ter atitudes não só de cobrar as metas, os bancos colocam metas muito altas que são impossíveis de serem atingidas. Sempre há um novo produto para ser vendido aos mesmos clientes. Além disso, que combatam o assédio moral e contratem mais empregados nos bancos privados e façam concurso para os públicos. Muitas vezes ficam 10 guichês para três bancários atenderem e acabam não cumprindo a lei dos 15 minutos, com isso o cliente culpa o funcionário”, relata.

Para ela, essas mudanças devem acontecer já que os bancos estão crescendo, atendendo a número maior de clientes, aumentando os serviços e reduzindo o número de bancários.

Foto: Fernanda Araujo/arquivo F5 News

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