Bebês estão em risco por falta de suplemento alimentar
Suplemento é muito caro e difícil de ser encontrado
Cotidiano 26/02/2013 15h30

Por Elisângela Valença

O auxiliar administrativo e professor Célio Alves é casado com Paula e tem uma bebê, Alice, de 4 meses de idade. A filha deles, como muitas crianças no Brasil, nasceu com intolerância à lactose e acabou desenvolvendo alergia à proteína do leite.

A médica da bebê iniciou um tratamento mantendo a mama e acrescentando um suplemento alimentar chamado Pregomim. “Este tratamento não resolveu. Nossa filha continua com o intestino inflamado e defecando com sangue”, disse Célio. A alimentação da bebê foi restrita a um outro suplemento alimentar, chamado Neocate.

O problema é que o suplemento é muito caro e difícil de ser encontrado. Ele é considerado alimento excepcional e, por isso, pode ser distribuído pelos governos municipal e estadual. “Aqui em Aracaju, temos que fazer um cadastro numa farmácia e a lata custa R$ 380”, disse Célio. “Encontramos por R$ 180 num site, mas é vendida apenas uma lata por pessoa”, acrescentou.

O drama piorou porque o remédio está em falta nas unidades públicas, que são o Centro de Especialidades Médicas, da Prefeitura de Aracaju, e o Centro de Atenção à Saúde, do Governo do Estado. “Na Prefeitura, eles disseram que o fornecimento será normalizado em março. Já no Case, ninguém diz nada”, disse Paula.

Alice consome uma lata do suplemento a cada dois dias. “Ela precisa fazer o tratamento de forma contínua. Seguindo isso, ela pode estar bem em três meses, quando poderemos entrar com outros alimentos”, disse Célio, acrescentando que ela pode vir até a consumir leite e derivados. “Mas o tratamento não pode ser interrompido”, reforçou. Eles precisam de 15 latas por mês e pegavam 10 latas no Case e 5 no Cemar.

“Assim como nós, existem muitas famílias na mesma situação e isso é muito grave”, disse Paula. “Há uma estatística que diz que a cada dez bebês, dois nascem com estes problemas e o poder público não se prepara para isso”, reclamou Paula, acrescentando que no Brasil só existe esta marca do suplemento.

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) informa que a compra do Neocate já foi feita e a previsão de entrega dos fornecedores é início de março. A SES informa ainda que este não é um produto obrigatório da portaria do Ministério da Saúde (MS) mas, mesmo assim, é distribuído gratuitamente pelo CASE.

Campanha

Por conta da dificuldade, o casal resolveu apelar para os amigos através das redes sociais. Ele lançou uma foto da bebê Alice com um texto explicando toda a situação. “Colocamos a foto na madrugada da sexta. Na manhã de sábado, nem consegui fazer supermercado, porque começamos a receber ligações. Era uma mãe que tinha encerrado o tratamento do filho e sobrado uma lata, uma pessoa que queria doar. Ficamos emocionados e agradecidos”, disse Paula.

Mas as redes sociais também trazem coisas negativas. “Pegaram a foto de minha filha e estão divulgando nas redes pedindo dinheiro. Já recebemos telefonemas perguntando se ela realmente existe”, disse Célio. “Por isso, não aceitamos dinheiro. Se alguém quer nos ajudar, mande a lata do Neocate”, afirmou.

A família precisa de 45 latas para o tratamento completo de três meses. “Se passarmos dessa quantidade, doaremos as latas extras”, disse Paula. Eles ainda têm em casa algumas latas de Pregomim. “Quem estiver precisando de Pregomim, pode entrar em contato que temos algumas latas aqui para doar”, disse Célio.

O telefone do casal é 9861-6689.

Matéria alterada às 13h30 para acrescentar posicionamento da Secretaria de Estado da Saúde.

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