Brincadeira perigosa do desmaio se torna comum em Sergipe, diz médico
Cotidiano 18/02/2014 11h50

Por Fernanda Araujo

Provocar o desmaio de alguém ou em si próprio está se tornando uma prática comum entre os jovens de Sergipe, nas escolas e na própria casa, segundo o médico Almir Santana (fotos abaixo). De acordo com ele, um professor de uma escola particular o procurou com um vídeo no celular mostrando jovens de ensino médio e fundamental realizando a indução ao desmaio, chamada popularmente de “brincadeira do desmaio”.

“Eu não sabia dessa prática e fiquei assustado. Ele veio me consultar como médico quanto ao que achava do risco. Pesquisei bastante e fiquei surpreendido, primeiro que é uma prática que já vem sendo feita há muitos anos em escolas aqui no estado”, disse. Almir Santana afirma que a prática é mundial, surgiu nos Estados Unidos e na França, que tinha uma média de dez óbitos por ano, de modo a forçar instituições a realizarem campanhas educativas contra a prática e a formação de uma associação de pais que perderam os filhos. O Centro de Controle de Doenças dos EUA aponta que 82 crianças e adolescentes morreram no país entre 1995 e 2007, por causa da "brincadeira do desmaio"..

A indução ao desmaio consiste em provocar uma hiperventilação. A pessoa fica agachada fazendo várias inspirações por segundo e depois fica em pé. Após isso, outra pessoa pressiona o tórax com muita força para prender a respiração. Essa ação elimina uma grande quantidade de gás carbônico e aumenta o nível de oxigênio, e por isso se consegue prender a respiração por mais tempo.  “Quando deixa de respirar falta oxigênio no cérebro e a pessoa desmaia quando há acúmulo de CO². O desmaio pode variar entre dois a cinco minutos ou até ter dificuldade de reanimar. A pessoa sofre tontura e alucinação. É possível também se desmaiar com o mesmo mecanismo, porém utiliza uma corda no pescoço para provocar uma asfixia, como uma tentativa de suicídio”, explica Almir Santana.

O médico relata que essa ação pode provocar parada cardíaca e respiratória, dependência semelhante a efeito de droga, além de lesões cerebrais irreversíveis, o coma e a morte. Inicialmente há riscos de crise convulsiva e epilética ou  tremores, como para ele revelou uma aluna que fez a prática.

Em Sergipe, ao contrário de outros estados, segundo ele, não há registro de mortes ou de lesões graves em conseguência da indução. Almir também afirma desconhecer se há dados do Ministério da Saúde e do Ministério da Educação sobre o assunto, mas antecipou a F5News que vai tentar mobilizar os órgãos competentes para que o assunto seja abordado.

No site Youtube, em pesquisa ‘Como desmaiar alguém’ (foto principal), é possível ver esse e outros vídeos publicados recentemente e há alguns anos, mostrando a negligência e a falta de noção de perigo, até de alunos de Medicina. Nos comentários alguns dizem não acreditar na prática ou nas sequelas, até induzem a fazerem em casa, se assumindo viciados na “brincadeira”. Outros mais informados relatam os riscos. Almir Santana alerta que os professores e pais, geralmente sem conhecimento desse comportamento, devem ficar atentos. Os jovens praticam em salas de aula, nos corredores da escola, em casa, ou até na rua, quase sempre em grupos.

“A gente tem que divulgar bastante. Já estou marcando uma reunião com um representante da Secretaria de Estado da Educação, do Programa Saúde e Prevenção da Escola, para abordar esse tema, e já mandei informações à Secretaria de Educação de Aracaju. Vou pedir uma reunião com o sindicato das escolas particulares, com o Conselho Estadual da Educação para fazer ações educativas, mostrar os riscos. A Saúde sairá com uma nota hoje esclarecendo”, avisa.

Imagem principal: reprodução/internet

Fotos 2 e 3: Fernanda Araujo

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