Centros de Especialidades de Aracaju apresentam precariedades estruturais
Cerca de seis mil atendimentos deixam de ser realizados mensalmente, aponta o Sindmed
Cotidiano 27/03/2018 11h35 - Atualizado em 27/03/2018 11h54

Por Saullo Hipolito*

Quem chega cedinho ao Centro de Especialidades Médicas de Aracaju (Cemar), no bairro Siqueira Campos, zona Oeste da capital, encontra uma sala de atendimento, quente, abarrotada de pacientes e com poucos espaços para sentar e aguardar a consulta. Por meio desses e de outros problemas apresentados, o Sindicato dos Médicos de Sergipe  (Sindmed) apresentou um dossiê que expõe os diversos problemas encontrados em prédios de referência.

O maior prejuízo de toda a questão da insalubridade apresentada é para a população, segundo o Sindmed, que fica  à mercê de atendimentos por conta do número de salas interditadas. No Cemar localizado no Siqueira Campos, das 51 salas existentes, quase metade está  interditada (43%), situação  similar a do Cemar do Conjunto Augusto Franco, onde 42% das salas estão interditadas, e no Centro de Especialidades Médicas da Criança e do Adolescente (Cemca), em que são contabilizadas 40%.

Com todas essas interdições, o efetivo de atendimento é diminuído em cerca de 40%, mesmo existindo médicos nos locais. Em números gerais, são 31 médicos por turno que deixam de trabalhar, perdendo em média 300 atendimentos por dia e de seis e nove mil consultas por mês.

“É inadmissível saber que os médicos estão aqui para atender a população e não o fazem porque erros não foram corrigidos”, disse o presidente do Sindmed, João Augusto. Ele completa afirmando que as 42 salas em funcionamento estão com atendimento parcial, havendo déficit de consulta.

De acordo João Augusto, a atividade serviu para apresentar todo o problema que envolve as condições de trabalho e a falta de atendimento médico aos  pacientes.

“O relatório durou cerca de cinco meses, já as imagens são de duas semanas para apresentar a atualidade. O documento será apresentado a todos os órgãos que possuam poder de correção, que são os locais que podem cobrar legalmente e podem punir o gestor, que são o Conselho Regional de Medicina, o Ministério Público Estadual, pois existe dinheiro envolvido e falta de assistência à população, Tribunal de Contas, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), porque envolve questões de insalubridade e riscos de infiltração da engenharia em partes elétricas, trazendo um grande risco futuro”, disse o presidente.

Segundo o médico especialista e representante do Sindmed no Cemar Siqueira Campos, Sérgio Luiz, das salas interditadas no Siqueira Campos, 90% estão nessa situação por questões de problemas na climatização. “Além da climatização, onde trazemos nossos ventiladores de casa, muitos pacientes estão tendo que ser atendidos em salas que não são próprias para tal fim, como é o caso da cardiologia que usa a sala de estabilização ou sala de teste ergométrico como consultórios”, afirma o médico.

Segundo a coordenadora da Rede de Especializações, Maria Auxiliadora Teles, a secretaria já adquiriu 25 novos aparelhos para este prédio e hoje já iniciaremos a implantação deles. Outros problemas foram avaliados ano passado e estão sendo trabalhadas questões de revitalização tanto de aparelhos, quanto da manta impermeabilizante, com soluções em breve. Ela ainda afirma que a pintura de espaços críticos será iniciada na próxima semana.

Novos profissionais

Segundo Sérgio Luiz, um usuário passa meses para marcar exame, fazer uma consulta, ou qualquer outro tipo de procedimento, existe a falta de profissionais, a falta de concurso para a contratação efetiva. “Existem setores de fisioterapia criados de forma inadequada, como por exemplo a piscina que desde a inauguração, nunca foi utilizada”, afirma o médico.

A Secretaria de Estado da Saúde, por meio da coordenadora Maria Auxiliadora afirma que licitações estão sendo realizadas para que seja efetivada a contratação de uma empresa que possa se responsabilizar pela piscina e dar efetivo funcionamento a ela. “A Defesa Civil esteve aqui, avaliou as rachaduras, definiu que não havia perigo aos profissionais e pacientes. Já a piscina está em processo de licitação, houveram três, mas nenhuma empresa apresentou as soluções esperadas”, disse.

Paralisação

Na próxima semana está marcada uma paralisação dos médicos para os dias 3, 4 e 5 de abril com o objetivo de ter uma celeridade da prefeitura na respostas das questões cobradas e apresentadas no dossiê.

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* Estagiário sob supervisão da jornalista Fernanda Araujo.

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