Cirurgia: atendimento e cirurgias no hospital voltam à normalidade
Serviço de anestesiologia ficou parado por cinco dias
Cotidiano 17/02/2016 15h00

Por Fernanda Araujo

Os atendimentos e cirurgias do Hospital de Cirurgia, na zona sul de Aracaju (SE), voltaram à normalidade nesta quarta-feira (17), após o repasse de valores contratuais feito pela Prefeitura da capital sergipana na terça-feira (16). No entanto, o repasse ainda foi parcial, a direção aguarda o depósito do restante ainda hoje. O valor total é de exatos R$ 4,13 milhões.

"Metade foi depositada ontem e a outra parte estamos aguardando até às 18h de hoje para rodar a folha dos funcionários referente a janeiro, a dos médicos referente a dezembro. O corpo clínico voltou a atender acreditando que seja cumprido o que a Secretaria Municipal de Saúde acordou junto à curadoria de saúde do Ministério Público Federal e Estadual", afirma a assessoria do hospital. A SMS explica que são recursos provenientes da prefeitura e do Ministério da Saúde. Mas aguarda também valores do Estado para serem repassados.

Os serviços de anestesiologistas da unidade estiveram paralisados desde a manhã da última sexta-feira (12), completando ontem cinco dias. Esta foi a primeira suspensão do ano, mas em 2015 houve mais duas paralisações dos serviços pelos profissionais, em agosto e novembro, devido a atraso de pagamento dos salários em razão da falta de repasse à Cooperativa dos Anestesiologistas de Sergipe (Coopaneste-SE), que presta serviço ao hospital. 

Em comunicado, a direção da Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia havia informado que, no dia 12, foram suspensas as admissões de pacientes por falta de recursos para a compra de medicamentos, pagamentos dos anestesiologistas e dos salários dos funcionários, além do décimo terceiro salário dos médicos.

Segundo a assessoria de comunicação, são feitas 40 cirurgias por dia. Enquanto isso, os pacientes estiveram que aguardar mais uma vez. A representante do grupo Mulheres de Peito, Sheyla Galba, também paciente de câncer, lamenta o caso da colega Valdeci Freitas, que está com metástase cerebral e teve a cirurgia suspensa no dia da paralisação.

“Ela está sentindo dor, com um lado paralisado, é um caso bem grave, fora os outros casos de que não temos conhecimento. A máquina do Huse voltou a funcionar segunda, graças a Deus. Mas, aí vem o Cirurgia com a máquina parada e sem anestesiologistas. Não nos deram nenhuma justificativa. As pessoas só estão esperando a morte”.

Valdeci estava com câncer de mama quando começou a fazer a quimioterapia e descobriu metástase na axila. A cirurgia para retirada do tumores foi marcada, mas ao entrar no centro cirúrgico no Cirurgia não havia material, conta Sheyla Galba.

“Daí saiu sem fazer, 15 dias depois ela teve um desmaio em casa e foi constatado a metástase cerebral, aí eu pergunto: será se isso não foi causado porque já era para ter feito a cirurgia de retirada do tumor da mama e da axila? Aí marca novamente a cirurgia para tentar diminuir o tamanho do tumor cerebral e aí o serviço dos anestesistas param. Não é revoltante?”, questiona.

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