Clemilda: Despedida no ritmo do forró
Conhecida como 'Rainha do Forró', Clemilda tinha 50 anos de carreira
Cotidiano 26/11/2014 16h29

Por Aline Aragão

Familiares, amigos, músicos e fãs da eterna Rainha do Forró, foram ao velório da cantora para se despedir. Uma despedida marcada por homenagens, e não poderia ser diferente, por muito forró. O ritmo que Clemilda ajudou a difundir por todo país.

Clemilda Ferreira tinha 78 anos e morreu na madrugada desta quarta-feira (26), em um hospital em Aracaju (SE), onde estava internada há meses. A forrozeira enfrentava complicações de um segundo Acidente Vascular Cerebral (AVC) sofrido em maio deste ano. O estado de saúde se complicou com a ocorrência de uma pneumonia. Ela tinha também histórico de hipertensão e Parkinson. O corpo foi velado durante todo o dia em um velatório localizado na Rua Itaporanga, e de lá seguiu no carro do Corpo de Bombeiros para o cemitério São João Batista.

A musa do forró era viúva, e deixa dois filhos, José Adeilson Ferreira da Silva, que é baixista, e o sanfoneiro Robertinho dos Oito Baixos (foto ao lado), que tocou com a mãe durante 20 anos. Para Robertinho, o maior legado que a mãe deixa é forma de ser e de viver a vida, de forma simples e humilde. “Ela viajou todo esse país, esteve no auge muitas vezes, mas nunca perdeu a humildade e é esse exemplo que levo comigo”, disse.

Segundo Robertinho, a família já vinha se preparando, e tinha consciência de que poderia acontecer a qualquer momento.  “Os médicos já vinham nos avisando, foram meses de sofrimento e agora ela descansou. Eu agradeço a Deus por minha mãe ter sido uma mulher tão humilde e ter contribuído tanto para o forró no Brasil. Agradecemos a todos que rezaram e nos acompanharam nesses momentos durante a internação”, disse Robertinho.

Nascida no Estado de Alagoas, Clemilda Ferreira escolheu Sergipe para morar e construir a carreira profissional. Em 50 anos de carreira, a “Rainha do forró”, como ficou conhecida, lançou 40 LPs e seis CDs. Ela também recebeu dois discos de ouro e dois de platina. Entre os maiores sucessos estão ‘Prenda o Tadeu’ e ‘Forró Cheiroso'.

E os sucessos de Clemilda serviram de trilha sonora durante o velório, na voz de músicos sergipanos que homenagearam a cantora. Assim como Caçula do forró, que lembra com saudades os momentos de glória de Clemilda. “São muitas as lembranças, ela sempre será a nossa rainha, a rainha de todo forrozeiro. Clemilda tem um papel muito importante na história da música desse país, e vai deixar muita saudade”.

O radialista Moacir de Jesus, mais conhecido como “Taiobinha”, tem 58 anos de rádio, e conta que assistiu todo o começo da carreira de Clemilda. “Lembro de quando ela chegou aqui, na época eu era operador na rádio Aperipê AM. Acompanhei todo o crescimento dela, viajamos muito por esse país, e foi lá na rádio onde tudo começou”, lembra

Pessoas de várias partes do estado vieram a Aracaju para prestar as últimas homenagens. O músico Antenor Nunes (foto ao lado), veio do município de Lagarto, ele conta que há três anos fez uma música para homenagear a cantora, por ela tê-lo acolhido. “Clemilda abraçou o meu trabalho e me ajudou quando precisei, eu estava chegando ao estado, não conhecia ninguém aqui, e ela acreditou em mim. Sou muito grato a ela, que já está fazendo falta”, disse emocionado.

Para o ex-prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, destacou o trabalho de Clemilda como representante da cultura sergipana e nordestina e disse que além de ser um ícone do forró e da música brasileira, a forrozeira era também um gênio, daqueles que só surgem a cada 50 anos. “Vai demorar para nascer outra referência na música e na cultura como Clemilda, ela foi e sempre será a Rainha do Forró”, disse Nogueira.

 

Fotos: Aline Aragão

 

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