Coaching infantil gera controvérsia entre profissionais
Cotidiano 25/08/2015 15h40

Nascido como uma ferramenta corporativa, que ajuda o profissional a descobrir seu potencial e desenvolver melhor suas habilidades, o coaching é, atualmente, uma estratégia utilizada por diferentes públicos, com diferentes necessidades. Realizado por um instrutor (coach) que ajuda o cliente (coachee) a atingir os seus objetivos, o trabalho pode ser realizado com praticamente qualquer pessoa.

É justamente esta abrangência do coaching que incentivou o surgimento da técnica no mundo infantil. Para Tânia Sakuma, profissional do Instituto Tsukimi de Aprendizagem e Resiliência e coach infantil, o processo pode ser aplicado em crianças a partir de 4 anos, de forma individual ou em grupo. A ideia é desenvolver autonomia, resiliência, interação social, desempenho escolar e elaboração de crenças positivas. “Este processo, de autodescoberta e de promoção da aprendizagem e resiliência, é facilitado através de jogos, brincadeiras, vivências e diálogos, nos quais as crianças são ajudadas a perceber situações e possibilidades novas ou ignoradas anteriormente”, explica.   

Tânia alerta, porém, que muitas vezes é procurada para estimular e desenvolver na criança o modelo de sucesso idealizado pelos pais. “Para estes, o processo de “Coaching para Pais” é a melhor sugestão, com o propósito de aceitarem seus filhos do jeito que são, com as suas individualidades, potencialidades, características e limitações”.

A metodologia aplicada com crianças, no entanto, é questionada por diversos profissionais. O presidente da Sociedade Latino Americana de Coaching (SLAC), Sulivan França, argumenta que a técnica usada no mundo infantil se desvirtua do próprio conceito do método, que tem começo, meio e fim. “A verdade é que não é coaching. A metodologia procura direcionar as principais características da personalidade do indivíduo que queira alcançar uma meta de curto prazo ou objetivos de médio e longo prazo. Somente o indivíduo adulto tem esse discernimento”, opina.  

Para Tânia, o coaching é o processo de extrair o máximo do potencial do outro, o que pode, sim, ser realizado com uma criança. “(É um trabalho) orientado ao futuro, trabalhando as competências e habilidades atuais em busca de obter novas conquistas e realizações em prol da felicidade e qualidade de vida”.

Para os pais que se preocupam com problemas emocionais do filho, a melhor opção é buscar um terapeuta ou psicólogo, já que o coaching está mais relacionado a aprendizagem. A diferença principal, segundo Tânia, é que a terapia foca os problemas atuais nas experiências e nos sentimentos relacionados a eventos passados e o coaching é orientado ao futuro, trabalhando as competências e habilidades atuais em busca de obter novas conquistas e realizações.

Sulivan acredita que diante de alguma questão infantil, um psicólogo será mais indicado para ouvir e tentar entender o que está passando pela cabeça da criança, sem procurar desenvolver capacidades e inteligência emocional. “Um psicólogo, sem dúvida, iria recomendar interação criança com criança no lugar de mais cursos, porque criança hoje em dia tem mais compromissos que adulto”, defende.

Foto: Jose Kevo/ Flickr

 

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