Com medo da microcefalia, gestantes aumentam busca por orientação
Cuidados devem ser redobrados no Pré-Natal, orienta obstetra Cotidiano 27/11/2015 19h00Por Fernanda Araujo e Will Rodrigues
Microcefalia era uma palavra, até poucos meses, desconhecida da maioria das gestantes e das mulheres interessadas em engravidar. O aumento no número de casos, ainda sem causa definida, levou a uma explosão desenfreada de buscas por informação sobre a rara condição neurológica, em ambulatórios públicos e consultórios particulares. A Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, em Aracaju (SE), abriga o maior número de bebês com malformação cefálica, tendo até esta sexta (27) 49 nascidos com a doença, em todo o estado são 74. A Unidade também é referência no atendimento aos recém-nascidos de alto risco.
Quitéria da Silva do Nascimento, com o filho nos braços (foto ao lado), nascido prematuro em Neópolis, revela que teve receio da doença. “Com essas notícias eu tive muito medo de acontecer com meu filho. Nunca ouvi falar disso, aí fiquei preocupada porque minha gestação foi de risco e me deu uma hemorragia muito forte. Mas, graças a Deus eu não tive problema com isso”, conta.
A dona de casa Adriana dos Santos, da cidade de Malhador, está no oitavo mês da gestação de seu quarto filho e já diagnosticou a malformação. Bastante emocionada, a mãe diz que não imaginava passar por essa situação. Sem conhecer nada sobre a doença, ela só começou a ir ao médico quando já estava com dois meses e meio da gravidez.
“Eu descobri com quatro meses que João Gabriel estava com essa doença. Eu levei um susto quando soube que ele não seria uma criança normal. Eu tive Zika quando estava com dois meses (de gestação). Já estava sendo acompanhada, mas só sentia as contrações, aí depois soube que tinha esse surto. Infelizmente, não tem cura, mas os médicos vão acompanhar. Estou com muito medo dele não resistir. Não vou abandonar meu filho, ele sempre vai ser acompanhado”, afirma Adriana.
Grávida de uma menina, Genoveva Alexandre Matos acredita que fazer o pré-natal foi importante para acompanhar o crescimento do bebê e ficar tranquila quanto à sua saúde. “Eu fiz todos os exames certinho, o ultrassom, vi que estava tudo bem. Mas, se eu ainda tivesse no início da gestação, eu teria receio. Graças a Deus não peguei nenhuma doença e estou no fim da gestação. Eu planejei a gravidez, mas se fosse para engravidar agora não engravidaria”, diz.Prevenção
A microcefalia afeta o crescimento adequado do cérebro do bebê. O governo ainda não identificou a causa do aumento recente de casos da doença, principalmente em estados do Nordeste, mas a principal hipótese é que o crescimento esteja associado à ocorrência do vírus Zika em gestantes. Não há casos na medicina que comprovem a relação, mas pesquisas como uma da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) constataram a presença do genoma do vírus em mães que tiveram bebês com microcefalia. O Zika é transmitido pelo mosquito Aedes Aegypti, o mesmo vetor da dengue.
O obstetra Luiz Eduardo Prado (foto), superintendente da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, alerta que as gestantes devem manter o acompanhamento e as consultas de pré-natal, com a realização de todos os exames recomendados pelo médico. “É possível ser diagnosticada precocemente no pré-natal através do ultrassom, porém, obstetricamente não teria o que fazer, somente dar uma boa assistência e depois acompanhar o recém-nascido durante dois anos, no mínimo”, afirmou.O médico ainda destaca que o momento serve também para chamar atenção da população quanto à necessidade de reforçar o combate ao Aedes Aegypti. “Nem sempre a comunidade ajuda no controle do mosquito. Controlar o vetor é a única chance de diminuir as doenças”, esclarece.
O secretário de Estado da Saúde, José Sobral, disse que uma equipe do Ministério da Saúde está em Sergipe para investigar os casos dos bebês microcéfalos e identificar as causas. Segundo o gestor, na próxima semana deverá ser anunciado um protocolo para o tratamento do problema. “Iremos discutir junto com os secretários municipais de Saúde quais as providências conjuntas que deveremos adotar, tanto no combate do Aedes quanto no acompanhamento das crianças que apresentam essa anomalia”, observa.
Fotos: Fernanda Araujo e Will Rodrigues/F5 News

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