Comandante da PM fala dos motivos de entrar no MP contra a GM
“Cada qual tem que atuar dentro do seu limite”, diz Iunes
Cotidiano 13/11/2014 17h30

Por Aline Aragão

Durante a semana tem repercutido na imprensa os motivos que levaram o comandante da Polícia Militar de Sergipe, coronel Maurício Iunes, a entrar com uma representação no Ministério Público Estadual (MPE) para que a Guarda Municipal de Aracaju (GMA) não venha a atuar no auxilio à Polícia Militar. O assunto foi discutido também na Câmara de Vereadores.

O vereador Dr. Agnaldo Feitosa (PR), que é o líder da situação na Câmara Municipal de Aracaju (CMA), foi à Tribuna da Casa na sessão desta terça-feira (11), e falou que não está entendendo a atitude do comandante geral da Policia Militar. “A gente fica triste sem saber porque o coronel Iunes está restringindo este auxilio em um estado onde estamos vivendo absolutamente inseguros e não temos efetivo capaz de fazer essa segurança, então era hora de abraçar essa parceria”, afirmou.

Ao F5 News, o comandante Iunes afirmou que a preocupação é com a segurança da sociedade, e para que não haja prestação de qualquer tipo de serviço que esteja infringindo a legislação vigente. “Queremos apoio, lógico que queremos, queremos somatório, lógico que queremos, mas eu não posso ser repórter, eu não posso ser juiz, eu não posso ser advogado, cada qual tem que atuar dentro do seu limite que a legislação assim permite e assim faculta”, disse.

Segundo Iunes, a decisão foi tomada após receber várias reclamações sobre excessos que teriam sido cometidos por policias e que, ao final das investigações, chegava-se a conclusão de que as ocorrências não tinham sido realizadas por PMs e sim por guardas municipais.  “A partir de uma série de fatos que ocorreram, fizemos uma consulta ao Ministério Público, que é o controlador da atividade policial, da nossa atividade e não da GM, para perguntar se o excesso aos limites da lei seria prejudicial e o MP entende que sim”.

Iunes critica a forma de atuação da Guarda Municipal que, segundo ele, não está apenas atuando no auxílio à PM e sim invadindo o espaço dos militares e fazendo o serviço como se fosse competência deles, e dessa forma ferindo a legislação. O comandante também destacou a importância de se respeitar as instituições. “Eu não posso fazer termos circunstanciados porque é uma atividade da polícia civil, então esse respeito às instituições precisa funcionar, porque senão as instituições não funcionam, elas passam a ser atropeladas, a partir de determinado momento eu vou querer lhe tirar o microfone e querer lhe entrevistar”, disse.

Para o comandante geral, essa forma de atuação da Guarda Municipal atrapalha o trabalho da PM em vários aspectos e cita como exemplo uma intervenção que venha a sair do controle, envolvendo reféns. “E aí quem vai responder por essa situação? Se nós perdermos uma vida o que será feito? Os parentes daquela vítima evidentemente sofrerão eternamente; para os demais cairá nas estatísticas, e as pessoas esquecem, infelizmente”, questionou.

Ele afirma que o que está sendo discutido não é a questão do apoio, mas os riscos que a sociedade possa sofrer com a realização desse trabalho que vem sendo feito pela GM.

Iunes diz ainda que a PM na pode aceitar essa prática, sob a desculpa de que o Estado não tem um serviço eficiente ou que a segurança não vai bem. “Não pode ser assim, dizer que não está bom e manda outro fazer; se está ruim, temos que trabalhar e dar condições para melhorar, nós temos que aperfeiçoar, temos que mudar a legislação, ai sim vamos ter uma sociedade correta. É mais proteção do que qualquer outra situação, porque depois, quando ocorrer o pior, será tarde demais”, afirmou.

 

Foto: Arquivo F5 News

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