Combustíveis: Justiça começa a ouvir militares envolvidos
Cotidiano 02/04/2018 13h30 - Atualizado em 02/04/2018 14h57

Por F5 News

Nesta segunda-feira (2) acontece a primeira audiência de instrução do caso do suposto desvio de verbas utilizadas para o abastecimento das viaturas da Polícia Militar de Sergipe. A imprensa não teve acesso à audiência realizada no Auditório da Auditoria Militar, do Fórum Gumersindo Bessa em Aracaju.

Foram convocadas para serem ouvidas hoje nove testemunhas de acusação, seis militares e três civis citados no processo, que teriam informações de como funcionava o esquema. Até o momento, duas já foram ouvidas na audiência conduzida por um juiz civil, pelo Ministério Público, advogado de defesa, com a participação do Conselho Militar.

A primeira pessoa a ser ouvida foi Luiz Silveira Freitas, gerente de operações de uma rede de postos de combustíveis em Nossa Senhora do Socorro, Grande Aracaju, onde a fraude acontecia, segundo as investigações. Na audiência, ele informou detalhes de como funcionava o abastecimento por meio de cartão, mas negou ter conhecimento da fraude até o início das investigações. Também foi ouvido um dos frentistas do posto, que falou sobre um esquema de “troca de moedas”.

Com o rosto coberto, por volta das 9h esteve presente o 3º sargento Robertson Souza Silva, que foi preso desde fevereiro indiciado por envolvimento na fraude. Ele também foi afastado do Centro de Suprimento e Manutenção (CSM) da PMSE, setor responsável pelo controle do abastecimento no âmbito da Instituição, o que, de acordo com as investigações, facilitaria a participação dele no esquema. O investigado preferiu não falar com a imprensa.

O advogado do sargento, Aloísio Vasconcelos, disse que já tem uma linha de defesa e afirma que as evidências apresentadas no processo não são suficientes para caracterizar crime. “A nosso ver não existe uma prova contundente que possa incriminar o sargento ou qualquer outro integrante do CSM ou da Polícia Militar de Sergipe”, afirmou.

As testemunhas de defesa ainda devem ser chamadas para depor.

Lembre

O caso veio à tona após uma denúncia anônima registrada ano passado, encaminhada a Justiça Militar, e tomou repercussão pública em janeiro deste ano por conta de acusações do coronel Bené Oliveira Gravatá, ex-corregedor da PMSE, que foi indiciado no âmbito do Inquérito Policial Militar que apurou a conduta ético-disciplinar do oficial por levantar suspeita contra o comandante da corporação, Marcony Cabral.

No esquema, o cartão Rede Vale Card, que é utilizado para debitar o valor do combustível que abastece as viaturas, estava sendo utilizado irregularmente e o valor era devolvido para os militares, com a ajuda de uma frentista de um dos postos onde foram feitos os abastecimentos fraudulentos. O que chamou a atenção é que existia ainda cartão ‘coringa’ que poderia abastecer qualquer viatura, a qualquer hora e sem limite de quantidade de litros de combustível. Os envolvidos usavam os cartões e desviavam cerca de R$ 3 mil em espécie por dia.

A investigação teve início por ordem do comando geral da PM e a Polícia Civil também conduziu uma investigação paralela, segundo a SSP. O Inquérito Policial Militar (IPM) foi instaurado em 11 de dezembro do ano passado, mas segundo a PM a investigação foi iniciada desde 2016. 

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