Comerciantes dos mercados centrais cobram outro local para operar
Argumento é que interdição dos espaços acabará com suas fontes de renda
Cotidiano 20/02/2013 11h27

Por Fernanda Araujo

Após a conclusão do Inquérito Civil quinta-feira passada (14) que culminou no pedido de interdição dos Mercados Centrais de Aracaju (SE) por conta de irregularidades sanitárias, estruturais e de segurança, os comerciantes dos mercados Thales Ferraz, Albano Franco e Antônio Franco estão preocupados.

Na área de pescados, a vendedora de peixes Maria Lúcia dos Santos (foto abaixo) prevê prejuízos para os comerciantes, caso os mercados sejam fechados para reforma. “Tenha certeza que se aqui for interditado muitos vão passar necessidade, aqui muita gente criou os seus filhos, sobrevive desse trabalho e sustenta a família”, relata.

Assim como ela, mais comerciantes pedem outro local próximo para a venda. “A área do estacionamento mesmo é muito grande e tem condições para que a gente trabalhe enquanto reforma”, diz Maria Lúcia. “Tenho 32 anos de mercado, se vão nos tirar que nos deem outro espaço. Imagine ter um ponto desse e perder? Pagamos impostos, a gente sua para trabalhar aqui, sustento dois filhos na faculdade por conta desse trabalho. Eles têm que dar outro espaço, mas, na verdade, eu não espero nada deles”, afirma José Fagundes de Jesus, vendedor de pássaros.

Com 25 anos de serviço nos mercados e apesar de se incomodar com a sujeira, Maria Lúcia afirma que o maior problema é a iluminação precária e a queda constante de energia, insuficiente para os freezers e prejudicial, portanto, ao armazenamento de pescado. Segundo ela, a situação se estende há anos e nunca foi resolvida. “Eu já fui ao Ministério Público denunciar e nunca resolveram. A molhação aqui não é nem falta de limpeza, é porque o mercado foi mal feito. Por que agora querem interditar?”, questiona.

A Adema também atestou que os mercados não têm condições e instalações adequadas para a venda de animais vivos desatendendo à Resolução CONAMA nº 237/97, além de funcionar sem Licença Ambiental. Denivaldo dos Santos, comerciante de galinha

s, recebeu a notícia com surpresa, mas afirma que o seu local de vendas atende às exigências e não há motivo para ser interditado. “Sempre vem o veterinário aqui para ver se os animais estão com saúde. Aqui está tudo regularizado se vier interditar vou ter prejuízos”, diz.

Já José Fagundes (foto ao lado) parabeniza a ação do MP, mas cobra às autoridades a promessa de um local específico para a venda dos animais. “Há muito tempo disseram que iriam fazer uma área específica para os animais, mas não fizeram. Pelo menos na minha parte está regularizado, mas tem muita coisa errada nesse mercado, infelizmente tem gente teimosa”.

 

Fotos: Fernanda Araujo

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