Compencan: Barril de pólvora prestes a explodir
Agentes penitenciários temem rebelião a qualquer momento
Cotidiano 18/02/2014 14h30

Por Marcio Rocha

O sistema prisional sergipano conta com um grande número de detentos para poucas vagas disponibilizadas nas penitenciárias. Em todos os presídios sergipanos, à exceção do Complexo Penitenciário Antônio Jacinto Filho (Compajaf), há um quadro de superlotação. A situação mais grave está no presídio de São Cristóvão, Complexo Penitenciário Carvalho Neto (Compencan), no qual os agentes penitenciários estão com medo de acontecer uma tragédia.

Agentes penitenciários que terão sua identidade ressalvada por temerem retaliação por parte do Departamento do Sistema Penitenciário (Desipe) manifestaram o temor de uma rebelião que possa acontecer a qualquer momento na unidade prisional após a tentativa de fuga de cerca de 50 presos no último final de semana - tentativa frustrada por agentes e apoio policial. Os presos tentaram fugir utilizando uma “Tereza”, corda feita com lençóis, para pular os muros do presídio.

De acordo com os quatro agentes que conversaram com a reportagem F5News, as tentativas de fuga são as menores preocupações dos trabalhadores que fazem a guarda dos presos naquela unidade prisional. Os agentes denunciaram que o Compencan tem capacidade de abrigar 700 presos e está com megalotação, quase quatro vezes o seu limite máximo: foram 2460 presos contabilizados na última semana. Segundo os agentes, em celas preparadas para oito presos, estão sendo abrigados até 22.

As denúncias são motivo de preocupação e alerta. Segundo os denunciantes que conversaram com a reportagem F5News, apenas dois agentes estão fazendo a segurança de cada pavilhão que contém cerca de mil presos, perfazendo uma divisão de 500 detentos por agente penitenciário na unidade, quando o total deveria ser de um agente para cada cinco presos, de acordo com o Ministério da Justiça.

Havia uma promessa da Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania (Sejuc), indicando que o efetivo de agentes seria aumentado com a desativação do Presídio Estadual de Areia Branca (PEAB). Entretanto, como a unidade não foi desativada e as tornozeleiras de monitoramento não foram compradas para dar a liberdade assistida aos detentos de lá, não houve remanejamento dos agentes para o Compencan, mantendo o clima de perigo iminente para os que trabalham no complexo.

O clima de tensão dentro da unidade é constante. Na última revista feita dentro das celas de uma das alas do Compencan, foram encontrados 44 chuços (armas perfurocortantes feitas com materiais de madeira ou plásticos, como escovas de dentes, por exemplo). Também foram apreendidos vários aparelhos de telefonia celular, com os quais os presos fazem contato com o mundo exterior e, em alguns casos, comandam ações criminosas.

“O Compencan é um verdadeiro barril de pólvora prestes a explodir a qualquer momento. Os presos podem começar a matar uns aos outros, simplesmente para ter mais espaço. Um dorme, o outro fica em pé acordado, a animosidade é constante e várias brigas acontecem lá dentro. E somos nós que temos que tomar conta. É difícil trabalhar desse jeito, pois são nossas vidas que estão em risco, além das vidas dos próprios detentos”, afirmou um agente.

Em respostas às denúncias, o diretor do Desipe, Manoel Lúcio Neto, enviou a versão do Departamento, por intermédio de sua assessoria de Comunicação, e questionou a veracidade das informações transmitidas pelos agentes. Leia a íntegra em Diretor do Desipe diz que não há porque temer rebelião no Compencan​

 

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