Comunidade do Bairro América critica retirada de posto policial
Comando da PM garante que população não ficará desassistida
Cotidiano 18/01/2016 13h35

Por Fernanda Araujo

Moradores do Bairro América, localizado na zona oeste de Aracaju (SE), estão apreensivos. A notícia de que o posto policial comunitário vai fechar, sob determinação do Comando Geral da Polícia Militar de Sergipe, pegou muitos de surpresa e gerou insatisfação também na comunidade católica.

Em reunião com o Comando do Policiamento Militar, na manhã desta segunda-feira (18), o frei Gleizer Campinho, da Igreja dos Capuchinhos, representou os moradores, juntamente com o presidente do Conselho  de Segurança do Bairro América e Novo Paraíso, Luiz Carlos, que cobram a não retirada do PAC (Postos de Atendimento do Cidadão). Os representantes temem a insegurança pública, caso haja o fechamento.

“Com a presença da polícia a gente ainda vê alguns sinais de violência; sem a presença da polícia a população fica vulnerável aos riscos. A gente sabe que tem a central de atendimento, mas sabemos o quanto faz diferença ter uma base da PM no bairro. Acreditamos que o trabalho precisa é ser ampliado e não fechado”, critica o frei Gleizer.

O frei frisou ainda que, antes da presença da polícia comunitária no América, o bairro era considerado um dos mais violentos da cidade, e após a chegada do posto o local se tornou pacífico. “A base está completando 20 anos. Ainda que existam sinais de violência, é pacificado. As pessoas não têm mais medo de transitar. Por isso a gente fica muito vulnerável, inseguro sem a presença da PM conosco”, ressalta.

O papel da igreja, segundo o pároco, é o de dialogar e mediar a situação. O frei completa ainda a Polícia Comunitária passou por transformações na sua política de atuação, quando o efetivo foi diminuído. Ele lembra que o PAC no bairro América foi um projeto piloto no Estado que, inclusive, se destacou à época tanto na imprensa nacional, quanto internacional (545 dias sem homicídio).

“Na realidade essa questão de que o PAC não funciona, de certa forma entendo, mas o comando nunca teve simpatia com policiamento preventivo comunitário. Segundo especialistas, 70% dos atendimentos são feitos pela polícia comunitária. A companhia pode sair, mas o PAC é patrimônio, é historia, e história ninguém apaga”, afirma Luiz Carlos.

A Polícia Comunitária, criada em 1996, surgiu da necessidade de interação entre PM e comunidade com o propósito era aumentar a sensação de segurança e reduzir os índices de criminalidade em parceria com a população local.

Reestruturação

O subcomandante, coronel Luiz de Azevedo, contrapõe que a retirada do posto será uma reestruturação do policiamento no local, como feito no PAC Costa Nova (Zona de Expansão), e afirma que a população não vai ficar desassistida. “É natural que a população fique preocupada com mudança, mas posso garantir que será para melhor. Hoje a Zona de Expansão tem outro tipo de policiamento, deixamos de ter policiais parados tomando conta de locais fixos, com a preocupação do local ser depredado. Hoje temos dinâmica muito melhor e esse é o planejamento que será feito no bairro América”, argumenta o comandante.

Segundo o coronel, a preocupação é grande por conta do tráfico de drogas que toma conta da região, até mesmo a 50 metros do posto. O PAC, até então, é sede de uma das companhias do 8º Batalhão e, segundo o comandante, o local não tem estrutura para o exercício das funções, como fazer Termo de Ocorrência Circunstanciado, relatórios ou apreender som por perturbação de sossego. A sede será colocada na rua Acre.

 “A ideia é que tenhamos quantidade maior de viaturas circulando na área e amplificar atuação de unidades especializas para combater o tráfico. Não haverá prejuízo, pelo contrário. Já começamos a fazer operação lá com Getam, Choque, Radiopatrulha. Os PMs também estão sendo retirados para colocá-los na rua e o número vai ser o mesmo, a população vai ser atendida de forma técnica e a PM vai cumprir seu dever”, declara. 

Fotos: Fernanda Araujo/F5 News

Mais Notícias de Cotidiano
Pedro Ramos/Especial para o F5News
28/10/2021  09h31 A vida de quem não tem um lugar digno para morar em meio à pandemia
Falta de acesso à habitação persiste e desafia efetivação da cidadania
Foto: AAN/Reprodução
11/03/2021  18h30 Prefeitura realizará testes RT-PCR em assintomáticos no Soledade
Testagem ocorre a partir das 8h, na área externa da UBS Carlos Hardmam.
Foto: Agência Brasil/Reprodução
11/03/2021  17h30 Em dois novos editais, IBGE abre inscrições para 114 vagas em Sergipe
Os contratos terão duração de até um ano, com possibilidade de prorrogação
Foto: SSP/SE/Reprodução
11/03/2021  16h10 Polícia prende suspeito de furtar prédio do antigo PAC do Siqueira
Homem foi flagrado pelas câmeras de segurança do Ciosp levando uma porta
Foto: SES
11/03/2021  16h10 Com aumento de casos, Sergipe teme falta de insumos hospitalares
Secretária Mércia Feitosa lembra necessidade de reduzir ocupação de leitos