Covid-19: estudo da UFS aponta taxa de prevalência de 11,6%
Pessoas que apresentaram sintomas estão em maior número, revela pesquisa Cotidiano 06/08/2020 20h30A Universidade Federal de Sergipe (UFS) divulgou nesta semana os resultados da primeira fase da ação de monitoramento de casos da covid-19 no estado no âmbito do Projeto EpiSergipe. Foram realizados 5.615 testes rápidos nas zonas urbanas e rurais de 15 municípios no mês de julho.
Dividido em três fases, o projeto realizará, ao todo, 15 mil testes rápidos para verificar a prevalência da doença na capital e interior do estado. Como o objetivo é acompanhar o nível de contaminação ao longo do tempo, 60 professores, técnicos e alunos da UFS envolvidos na iniciativa vão revisitar os municípios nos meses de agosto e setembro.
De acordo com os dados divulgados pela UFS, 59,7% (3.352) das pessoas testadas na fase inicial são do sexo feminino e 40,3% (2.262) do sexo masculino, nas faixas etárias de 0 a 19 anos (10,8%), 20 a 59 (67,6%) e acima de 60 (20,8%). Desse total, 652 pessoas apresentaram resultado positivo para o novo coronavírus por meio do teste rápido, indicando uma taxa de prevalência de 11,6%, sendo a maioria de mulheres (66,1%), e com idade entre 20 e 59 anos (68,6%).
“Já estamos em uma fase da doença bem avançada ainda, em torno de 11%, o que é um número relevante, que demonstra que a população já teve contato com o vírus. Nesses 15 municípios, o comportamento não é igual. A gente sabe que isso acontece nos estados. Começa em algumas regiões e depois a tendência é de avanço para o interior”, afirmou o coordenador do projeto de monitoração, professor Adriano Antunes.
Essas 652 pessoas que positivaram no teste rápido tiveram o sangue coletado para a confirmação do resultado através do teste de sorologia. Por meio do método de imunofluorescência, 520 exames apresentaram resultado positivo para a detecção de anticorpos para o novo vírus respiratório (SARS-CoV-2) e 99 foram negativos.
Na sorologia, 500 amostras sinalizaram para o tipo IgG+, o que aponta para possibilidade da pessoa estar imune, 2 para IgM+, indicando a doença na fase inicial, e 18 pessoas entre IgG+ e IgM+. Esses dados indicam uma soroprevalência de 9,3%, com maior incidência no sexo feminino (10,2%), e em pessoas de 0 e 19 anos (9,9%).
O coordenador ainda afirmou que o inquérito epidemiológico deve ser lido dentro de um espectro temporal, ou seja, de acordo com o período de análise do estudo a partir das datas de coleta. O pesquisador ainda chama a atenção para três municípios com alta prevalência no mês passado: Propriá, 20%, São Cristóvão, 16% e Lagarto, 14%.
Diferentemente de estimativas de que a população assintomática é de 80%, o EpiSergipe mostra que, no estado, a porcentagem de pessoas que não apresentam sintomas é de 41,2%. Já os sintomáticos são estimados em 58,8%. Os sintomas mais frequentes são dor de cabeça (24%), perda de paladar e olfato (24%) e tosse (19%).
Os pesquisadores da UFS concluíram, ao final da primeira etapa, que o nível de infecção varia entre os municípios e que a taxa de prevalência caiu até 20% nas cidades mais afetadas inicialmente na primeira, segunda e terceira ondas de infecção.
Projeto EpiSergipe
O projeto é desenvolvido através de uma parceria entre a Universidade Federal de Sergipe, Governo de Sergipe e municípios envolvidos.
Além do monitoramento de casos, a iniciativa, com duração prevista de um ano, visa identificar os impactos socioeconômicos, em virtude da pandemia, através de uma proposta de simulação e acompanhamento de três modalidades de crimes: homicídios, roubos e furtos e violência doméstica, e a evolução da doença nas populações vulneráveis, a carcerária, adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas, população de rua e idosos que vivem em Instituições de Longa Permanência.
A segunda fase de coleta deve iniciar na próxima semana.
Fonte: UFS


