Crime de estelionato por telefone se intensifica em SE, diz delegada
Delegada alerta para o cidadão ficar atento a não passar dados pessoais Cotidiano 02/03/2014 07h18Por Fernanda Araújo
Nos últimos anos são constantes os registros nos Boletins de Ocorrências de vítimas que sofrem estelionato por telefone. Os criminosos agem de maneiras distintas, como forçando as pessoas a depositarem dinheiro em suas contas, fingindo ser parentes e precisando de ajuda, ou fingindo um sequestro de algum familiar, por exemplo. Essa prática se tornou comum, mas, mesmo assim, muita gente cai na armadilha, principalmente mulheres. Quem nunca recebeu até uma mensagem no celular, dizendo "parabéns, você acaba de ganhar um automóvel zero quilômetro"?
Um caso recente no mês de fevereiro ocorreu a uma moradora do bairro América, em Aracaju (SE). A vítima recebeu uma ligação do número 062-9690-5483 por um homem identificando-se como seu tio que reside na cidade de Guarulhos (SP). O homem alegou que o carro tinha quebrado na estrada a caminho de Sergipe e precisava com urgência que ela depositasse R$ 1.500 em uma conta corrente do estado de Goiás. Acreditando no suposto tio realizou o depósito, mas só percebeu a fraude quando o mesmo homem retornou a ligação dias depois pedindo depósito de R$ 2.200. A vítima ligou para o seu tio que negou o fato, informando que estava em sua residência.
Outro caso aconteceu a uma moradora do conjunto Rosa Elze, em São Cristóvão. Um homem se identificou como João Bastos, do Fórum de Brasília e forneceu o telefone 61-4063-7634 para contato. Ele possuía uma série de dados da vítima, e disse que ela iria receber R$ 19.630, referente ao Plano Collor. Para isso, ela deveria fazer um depósito de R$ 498. Ao informar que não possuía esta quantia, o homem disse que o valor seria cancelado.
Em 2013, outra mulher foi recebeu uma ligação telefônica do número (85) 8105-6981, de um suposto consultor do Setor 08, de Promoções da Operadora Vivo, Tele Nordeste, em Fortaleza (CE). Segundo o estelionatário, a vítima teria ganhado um prêmio no valor de R$ 20 mil e deveria retirá-lo imediatamente no Banco do Brasil. A mulher somente descobriu que se tratava de uma fraude após telefonar para a Vivo.
Segundo Maria Pureza Andrade, delegada do Departamento de Defraudações e Combate á Pirataria da Polícia Civil em Sergipe, em 2012 houve 8 ocorrências registradas; 2013: 23; 2014 (até meados do mês de janeiro): 05. O levantamento não diz respeito a BO's registrados somente neste Departamento, mas em delegacias de todo o Estado. "O crime praticado por telefone há muito vem ocorrendo e se intensificado, a partir do momento em que os seus autores se deram conta de que, para sua prática, não precisam sair de sua zona de segurança, de sua casa, além de ser crime apenado com pena mínima de 01 ano, cabendo, portanto, suspensão condicional do processo. Mister destacar, todavia, que o golpe do falso sequestro, praticado por telefone não se trata de estelionato, mas de extorsão, visto que envolve grave ameaça", explica.
A delegada afirma que as pessoas ainda caem nesse golpe porque todo estelionatário tem o dom de envolver as vítimas em suas conversas, transmitindo segurança e veracidade no que fala. Ademais, trata da família e entes queridos das vítimas, tornando-as ainda mais vulneráveis e suscetíveis de caírem no golpe. Ela ressalta ainda que, muitas vezes, os autores desse tipo de delito escolhem suas vítimas aleatoriamente, fazendo uso de números constantes de listas telefônicas, por exemplo. O segundo passo é utilizar da engenharia social, ou seja, passar-se por alguma empresa ou órgão, e coletar dados pessoais da vítima junto a parentes ou funcionários desta, que atendem o telefone, a fim de dar maior veracidade à estória que irá inventar para envolver o seu alvo.
E o maior problema está na dificuldade da polícia elucidar os crimes, tendo em vista que o seu autor se encontra em outro Estado da Federação e a conta bancária informada para depósito da quantia ilícita também e esta, geralmente, pertence a terceira pessoa que, muitas das vezes, empresta sua conta para terceiros, em troca de espécie de comissão ou outra vantagem econômica. "Tais fatos dificultam sobremaneira a identificação dos bandidos. A polícia civil deste Estado já realizou investigação nesse sentido, todavia, esbarrou no fato de o investigado estar em outro Estado", lamenta.
Fique Atento
A delegada alerta que a população deve estar sempre atenta para não passar dados pessoais para estranhos, não somente pelo telefone, mas também pelas redes sociais (sites de relacionamentos, por exemplo) e até pessoalmente. Já que o crime de estelionato pode ocorrer também através da forma tradicional, ou seja, o contato pessoal. De acordo com ela, crimes dessa natureza têm na prevenção a melhor e mais eficiente ferramenta de combate. "Por isso que a atenção das pessoas de boa-fé tem que ser redobrada, devendo as mesmas se policiarem para, no decorrer de uma conversa inocente, num supermercado, fila de banco, etc, não passarem informações sobre sua vida. Além disso, voltando ao golpe por telefone, jamais atender solicitação que porventura parta do interlocutor, principalmente aquela de cunho econômico, sem antes checar a origem da ligação", recomenda.

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