Cúpula da SSP nega interferência de João Eloy no caso do seu enteado
Vítima revela indignação ao saber que acusados permanecem soltos Cotidiano 26/05/2014 14h15Por Fernanda Araujo
Após várias especulações, a Secretaria de Segurança Pública de Sergipe (SSP) convocou a imprensa para esclarecer os fatos sobre a suposta tentativa de assalto efetuada pelo enteado do secretário de Segurança Pública, João Eloy, Ítalo Bruno e de seu amigo Eduardo Aragão, que vitimou o taxista Roberto Cabral. Com os suspeitos foram encontradas quatro armas, entre elas duas pistolas calibre 40, e uma Beretta, além de várias munições de calibres diversos. Eduardo foi pego com uma carteira de identificação da Casa Militar do Governo do Estado.
Após a vítima ter prestado depoimento na Delegacia Plantonista, o delegado de plantão Augusto César achou por bem não realizar flagrante, mas instaurar inquérito policial e os acusados responderem em liberdade. Na coletiva, o secretário adjunto da SSP, João Batista (foto abaixo), destacou que o secretário foi surpreendido com o caso. João Eloy se preparava para dormir quando descobriu que o enteado pegou o carro em casa sem seu consentimento e estava sendo acusado de tentativa de assalto. O caso será encaminhado à Delegacia de Turismo. Além disso, o procedimento
para investigar o caso já foi iniciado, espera-se que em 30 dias o inquérito seja concluído para ser julgado. Sobre as informações de que o delegado plantonista ou policiais teriam sido constrangidos a mudar as características do carro para desfigurar o caso, João Batista nega.“Tudo isso vai ser investigado em um inquérito policial. O carro que foi abordado e apreendido pela PM foi o que estava na Plantonista, não tem porque ser diferente. As pessoas criam um problema porque o carro que serve o secretário é uma Amarok preta, mas serve apenas para atividades funcionais, a Amarok branca é particular dele, e foi esse carro utilizado no dia do fato”, esclarece.
A origem da carteira da Casa Militar, fora da validade desde 2007, em posse do suspeito Eduardo, também será investigada na Corregedoria. A SSP vai abrir uma sindicância para saber como os termos de declaração dos envolvidos, carteira de identidade e endereços vazaram nas redes sociais. A Cúpula da Segurança Pública negou ainda qualquer interferência do secretário João Eloy no caso. “Não vai passar mão na cabeça de ninguém. O delegado é isento e não tem nenhuma relação pessoal com o secretário. Vamos dar resposta, mas não se pode criar um tribunal de exceção só porque é enteado do secretário. Não se cogita possibilidade do secretário pedir licença, isso é especulação. Não foi erro operacional ou da gestão da secretaria”, completa João Batista.
Quanto ao acesso do enteado às armas, segundo o secretário adjunto, uma parte é de posse da secretaria e outra do próprio secretário, que estavam dentro do veículo. O porte ilegal de arma é crime inafiançável, porém os acusados foram soltos. “O delegado não se convenceu que era caso de flagrante delito, tinha dúvidas em algumas questões, como se tratava de uma pessoa que não tinha antecedente criminal e tinha residência fixa, entendeu que não tinha dolo por parte deles porque os acusados alegaram não saber que as armas estavam dentro do carro. Esses policiais que estão dizendo que foram ameaçados a não fazerem o procedimento que procurem a Corregedoria da PC e o controle externo do MP para denunciar”, disse a superintendente da Polícia Civil, Katarina Feitosa.Vários outros objetos que estavam dentro do carro, como casaco, camisa e tablet de propriedade do secretário, foram custodiados. Sobre a agilidade da ação policial no caso, dito pela vítima, o coronel Iunes, comandante da PM, afirmou que esse é um ponto positivo para a sociedade.
O caso
A tentativa de assalto foi registrada na noite de domingo (25). Segundo o taxista, dois homens o abordaram na Orla de Atalaia, zona sul de Aracaju. Com armas em punho os dois jovens teriam descido de uma picape VW Amarok, de placa OEQ 6871, veículo particular do secretário, porém placa de segurança. Ao ser abordado junto com passageiros, o taxista gritou “aqui tem polícia!”, após isso os dois fugiram na picape em alta velocidade. Em entrevista ao programa Liberdade Sem Censura, a vítima afirmou que chamou o Ciosp, e aproximadamente 40 minutos depois os policiais ligaram para reconhecer os acusados e o veículo que foi localizado no estacionamento da Passarela do Caranguejo.“Parecia coisa de televisão, com aquela lanterna no olho para ver se a gente não conseguia identificar. Eu os reconheci na frente dos militares da Radiopatrulha, depois fui à delegacia e lá só fiz o BO com detalhes ao delegado. Ele (Ítalo) estava no corredor com o advogado e eu apontei que era ele, mas nada formalmente.
Entrou na delegacia como uma pessoa normal conversando. Todo mundo já sabia que eu tinha reconhecido, mas não me chamaram para confirmar”, disse a vítima, que ficou indignada com a notícia de que os acusados estão soltos.“Amanhã eles podem voltar a fazer isso, pegar outro carro, se não for comigo é com outra pessoa. Policiais da Radiopatrulha e na delegacia me informaram que já existia uma Amarok na Orla abordando as pessoas. Policiais me disseram que eu sou a quarta vítima, se é verdade não sei. A ação dos policiais foi rápida. A Justiça tem que seguir à frente. Eu já fiz a minha parte espero que dê algum resultado”, afirma Roberto.
Foto 1 e 2: Fernanda Araujo
Foto 3, 4 e 5: rede social

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