Depósitos judiciais: bancários preveem danos irreversíveis ao Banese
Cotidiano 24/08/2015 14h30Por Fernanda Araujo
A aprovação do Projeto de Lei Complementar 08/2015, do Poder Executivo, que autoriza a utilização de 70% dos depósitos em contas judiciais (R$ 500 milhões), pode levar à descapitalização do Banco do Estado de Sergipe (Banese). Esse é o temor dos bancários, já que a maior parte dos recursos judiciais do Estado é depositada naquele banco.
O Sindicato dos Bancários (Seeb/SE) é contra o PL e acredita que esta é uma apropriação indébita do Governo do Estado, o qual não deve intervir na relação que somente diz respeito aos beneficiários da ação judicial e a Justiça. “Muito me admira o governador (Jackson Barreto) ter assumido publicamente a opinião de que ele é defensor da saúde financeira do Banese, achar importante o Estado continuar tendo um banco, e tomar uma atitude dessas”, afirma a presidente sindical, Ivânia Pereira.
A sindicalista acredita que a justiça sergipana não permitirá a apropriação desses recursos. Em sua análise, o PL foi a maneira mais fácil orquestrada pelo governo para se capitalizar. Ela sugere que o Estado faça um plano de arrecadação para não se apropriar do que não lhe pertence.
“O governador precisa exigir que o secretário da Fazenda trabalhe mais para buscar recursos porque, para gastar, o secretário tem ajuda de todos. Ele (o governo) quer transformar os depósitos judiciais em carta precatória? E na hora o cidadão que faz jus ao direito e for sacar, ele vai receber um papel? Vai criar uma revolta geral na sociedade. Espero que o governador repense, se foi orientação de algum secretário do Estado, creio que este tem intenção de criar problemas para o governador”, afirmou.
Impactos
A utilização desses recursos deve causar danos irremediáveis ao Banese, segundo Ivânia Pereira, mesmo que a saúde financeira do banco esteja estável, já que no último sábado a agência aprovou o pagamento de um plano de premiação para todos os funcionários, em decorrência dos lucros obtidos no semestre.
“Em um grande banco o impacto será, milhares de vezes, menor do que em um banco do Estado como é o nosso, não se compara em um banco de caráter nacional. Dessa forma, os deputados estão se descomprometendo com a saúde do Banese, eles precisam explicar porque aprovaram o projeto. Não temo a privatização do Banese, acredito na palavra do governador, mas não coloco minha mão no fogo por ninguém”, diz.
Abuso
No entendimento da sindicalista, a Secretaria de Estado da Fazenda deve satisfações à sociedade quanto às medidas que vêm sendo adotadas para promover a capitalização, uma vez que, vários empréstimos têm sido tomados com a promessa de dar suporte às contas públicas.
“É um abuso do governo manter o status de tantos cargos comissionados e, ao mesmo tempo, não pagar o reajuste de salário dos servidores, considerando que a maioria recebe menos que um salário mínimo. O governo tem como capitalizar e honrar os compromissos com os servidores. Creio que o que levou o Estado a ultrapassar o limite prudencial não foi o salário dos servidores”, avalia.
Foto: arquivo F5 News/Fernanda Araujo
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