Desarticulada quadrilha responsável pelo tráfico de drogas em Aracaju
Cotidiano 20/12/2017 12h00 - Atualizado em 20/12/2017 13h21

Por Saullo Hipolito*

Em uma investigação policial que durou aproximadamente sete meses, o Departamento de Narcóticos da Polícia Civil (Denarc), juntamente com o Grupamento Especial de Repressão e Busca (Gerb) e com o apoio da Divisão de Inteligência e Planejamento Policial (Dipol), cumpriu, na  terça-feira (19), 28 mandados de prisão contra integrantes de uma das principais organizações criminosas que atuavam no tráfico de drogas na capital, em especial na área litorânea e zona sul.

A investigação nomeada como “Operação Tubarão” desarticulou uma associação criminosa composta por quatro núcleos de comando e que era a principal responsável pelo tráfico de cocaína, maconha e crack na capital.

Dentre os pontos com maior atuação na distribuição dos entorpecentes estão a região sul de Aracaju, com destaque para os Bairros Coroa do Meio, Atalaia, Farolândia, São Conrado, Orlando Dantas e Augusto Franco. De acordo com as informações, muitas vezes os pagamentos eram realizados por meio de cartões de crédito e débito.

Dentre as descobertas no transcorrer do caso, a polícia detectou que não se tratava de um simples grupo de traficantes, mas de uma associação criminosa composta por quase 30 pessoas, estruturalmente ordenada e com divisão de tarefas voltadas para aquisição de substâncias entorpecentes no sudeste brasileiro para distribuição em bairros sergipanos. 

“Cada um tinha uma função específica nesse grupo criminoso, conseguimos identificar cada uma das funções dos 28 envolvidos, o que resultou nessa operação e desarticulação na última terça-feira (19). Foi uma operação que durou sete meses, iniciada em junho e acompanhada pelo Ministério Público do Estado de Sergipe e pelo Poder Judiciário Sergipano, que prontamente expediu 28 mandados de prisões preventivas e todos foram cumpridos”, comentou o diretor do Diretor de Narcóticos (Denarc), o delegado Osvaldo Resende.

Os chefes da quadrilha eram Jonata Souza Santos, vulgo “Neguinho” ou “Neguinho Jonas”; Heber Lavigne Carvalho (preso em casa); Marcelo Torres Pacheco, o “Marcelo Gordinho” (preso saindo de Alagoas trazendo drogas para Aracaju); e Marcos Antônio Barreto Filho, vulgo “Marquinhos”. Todos eles ostentavam veículos de luxo, a exemplo de um Land Rover e um Volvo. Cada núcleo tinha seus gerentes e transportadores.

Violência

Durante o monitoramento e investigações, a Polícia Civil percebeu que uma das marcas registradas da organização criminosa é a extrema violência utilizada. Houveram muitos casos, de acordo com a polícia, de intervenção e frustração de homicídios encomendados pelos chefes da associação criminosa contra outros traficantes e usuários de drogas. Todas as vezes que a polícia identificava preparativos para a prática de homicídios, saturava a área com equipes policiais e evitava que o crime fosse cometido. 

Apreensões

Nas investigações realizadas pelo Denarc durante o ano, cerca de 320 quilos de drogas foram apreendidos pela investigação policial. Uma dessas ações aconteceu na prisão do dia 9 de outubro deste ano, quando foi presa Ana Paula Pereira da Silva, em sua própria residência. Com ela, foram apreendidos 101 tabletes de maconha, pesando 119,65 quilos, dois quilos de crack, 1,5 quilo de cocaína e uma balança de precisão. O material estava totalmente armazenado no quarto dos filhos dela de 13, 10, seis e quatro anos de idade. Além disso, foram apreendidas duas armas de fogo, uma de fabricação austríaca, e duas prensas.

Investigações

A movimentação bancária será analisada pela perícia. Após a documentação ser liberada, a polícia tomará o encaminhamento adequado, com a possibilidade de executar mais apreensões de possíveis suspeitos envolvidos na associação. Os acusados serão indiciados por tráfico de drogas e associação com o tráfico, entretanto, há alguns que respondem ainda por homicídio e furto qualificado.

Presos

Além dos quatro líderes citados acima foram presos, Adilson José dos Santos, o “Gamela” ou “Yuri”; Adriana Monteiro dos Santos; Ana Paula Pereira da Silva; Bruno Cezar Santos Cunha; Débora Cristina Borges dos Santos, a “Deba”; Diego Lavigne da Costa; Emerson de Jesus Santos, o “Moranguinho”; Hegliane de Jesus Silva, o “Batatinha” ou Hengle”; Hugo Leonardo Lemo Matos; Jamile Conceição Gonzaga; Joedson Henrique Soares Matos; Jonathan Melo de Araújo, o “Graxinha”; Jorge Luiz Santos, o “Márcio Jorge”; José Renilson de Jesus Santos, o “Del”; Jucival Santana dos Santos, o “Sinval” ou “Camilo”; Júlio Cézar Chaves Santana, o “Gordinhho”, “Paulista” ou “Lucas”; Kátia Patrícia Souza da Silva; Leidiane Cavalcante Apulto; Marilene Ferreira Davino, a “Galega”; Rafaela Barbosa de Sousa; Ricardo de Jesus Santos; Sérgio Francisco dos Santos; Tarsila Rodrigues Bezerra e Thiago Trocate da Silva.

Um outro investigado, Wesdeniz dos Santos Barreto, morreu no dia 29 de novembro, após uma tentativa de assalto. Ele era conhecido como “Neguinho do Mangue”, “DED” ou “Peu”.

* Estagiário sob supervisão da jornalista Fernanda Araújo.

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