Direção do Huse admite superlotação, mas rebate denúncias de sindicalista
Cotidiano 07/12/2017 11h40 - Atualizado em 07/12/2017 19h08

Por Fernanda Araujo

Pacientes que dependem do Sistema Único de Saúde em Sergipe convivem diariamente com diversas dificuldades. Corredores lotados, maior tempo de espera para receber atendimento, a superlotação é um dos entraves no Hospital de Urgência (Huse) que parece distante de ser resolvido.

A situação do hospital foi alvo de polêmica esta semana por conta de uma matéria publicada por um jornal de Aracaju com declarações da presidente do Sindicato dos Enfermeiros de Sergipe (Seese), Shirley Morales. No material, publicado pela plataforma digital em PDF, a enfermeira denuncia superlotação, um número alto de mortes ocorridas na Ala Vermelha da unidade, falta de insumos e até compartilhamento de equipamentos entre os pacientes.

A superintendência do Huse admite a superlotação. A situação, segundo o médico Luiz Eduardo, superintendente da unidade, já dura dez meses, porém, de acordo com ele, isso vai mudar com a transferência dos atendimentos de média e baixa complexidades para a Central de Regulação de Saúde de Sergipe, que está sendo construída na Zona Oeste da capital sergipana.

Em coletiva convocada nesta quinta-feira (7), o superintendente argumenta, no entanto, que a declaração de Shirley é infundada e que a denúncia é irresponsável. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, na denúncia a sindicalista ataca os colaboradores do Huse os acusando de homicidas, especialmente da Ala Vermelha, citando números impróprios de óbitos.

“Ela [Shirley] é acostumada a fazer denúncias irresponsáveis e insanas e o veículo de imprensa divulgou dados sem nenhuma estatística. Ela faz palanque eleitoral, está querendo gerar o caos, e o jornal é irresponsável, em nenhum momento foi ao Huse ou à direção para conferir a veracidade das informações divulgadas. Não vou dar palanque a essa senhora que se usa de um sindicato”, afirma Luiz Eduardo.

Ainda de acordo com o superintendente, a Ala Vermelha está dentro da normalidade do país, sendo que a mortalidade nas 24 horas é de 12%, podendo chegar a 30%, mas nunca a 50%, como afirmou a enfermeira. Luiz Eduardo nega ainda que exista falta de insumos e compartilhamento de equipamentos no Huse.

A superintendência do hospital diz ainda que vai acionar a Justiça. “O veículo de imprensa, o sindicato, o jornalista e a sindicalista terão que responder no âmbito judicial, onde deveremos buscar os reparos pelos danos causados ao Huse e a nossos profissionais. Eles terão que provar o que disseram. Todos os colaboradores vão entrar com ação coletiva”, assegura Luiz Eduardo.

O outro lado

Em resposta ao diretor do Huse, a presidente do SEESE negou que o conteúdo das denúncias era mentiroso, que o sindicato estaria prevaricando ou que estaria colocando a culpa nos trabalhadores sobre a situação da Ala Vermelha do HUSE. Segundo ela, a situação é caótica e não é de hoje. 

"É uma situação grave. E há sim uma superlotação. Os pacientes têm morrido pela ausência de equipamentos suficientes para atender e fazer uma assistência de qualidade. Os trabalhadores têm sofrido reiteradamente com essa situação de caos na saúde, no Hospital. As UPAS de Aracaju, assim como a Atenção Básica de todo o estado, estão bastante sucateadas e, com isso, acaba encharcando o Hospital de Urgências com pacientes que não perfil daquele hospital. Como é porta aberta, os pacientes mais graves acabam indo para a Ala Vermelha. Que, em tese, teria 16 leitos que deveriam ser ocupados com pacientes com determinado perfil e aparelhamento para uma assistência de qualidade, para sua segurança".

Shirley Morales disse ainda que a ocupação no hospital vai em torno de 27 -- às vezes até 40 -- pacientes, o que não condiz com a capacidade de pessoal, devido a falta de profissionais suficientes para prestar a assistência, e material para trabalhar. 

"Apesar das declarações da Secretaria de Saúde, que tentam dizer que o Sindicato está culpabilizando o trabalhador, afirmamos que isso é uma inverdade. Nós ratificamos, sim, todas as denúncias que fizemos porque elas foram feitas baseadas em fiscalizações nos locais, com fotos, com vídeos e com documentos cedidos pela própria administração do Hospital constando toda a taxa de mortalidade. Não uma taxa de mortalidade apenas nas 24h, mas de todo o período de permanência do paciente no Hospital. Pedimos o apoio dos trabalhadores, das famílias e usuários que têm utilizado o serviço e sabem da realidade daquele hospital. Nós combatemos tudo que vem acontecendo. Sabemos que, além do estresse físico e mental, muitos trabalhadores têm se ausentado justamente porque não suportam essa situação de guerra. Nenhum trabalhador nunca concordou em, por exemplo, ter um equipamento de extrema necessidade para vida de um paciente, ter que compartilhá-lo com outros pacientes, mas se não fizer isso, os pacientes morrem. E, por isso, nós ratificamos a necessidade das providências", respondeu.

Foto: F5 News

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