Dom Cappio fala sobre a transposição do São Franciso em rádio sergipano
O frei é um dos mais fervorosos defensores da revitalização Cotidiano 12/03/2015 22h23Por Aline Aragão
O projeto de transposição do Rio São Francisco é um tema bastante polêmico, pois engloba vários fatores e até hoje divide opiniões de quem acredita na tranposição e quem defenda a revitalização.O projeto surgiu com a proposta de solucionar um problema que há muito afeta as populações do semi-árido brasileiro, mas por trás tem toda uma questão ambiental, que afeta um dos rios mais importantes do Brasil, tanto pela sua extensão e importância na manutenção da biodiversidade, quanto pela sua utilização em transportes e abastecimento.
A construção da obra começou há sete anos. Foi idealizada para beneficiar 12 milhões de pessoas que sofrem com a seca, em quase 400 municípios de quatro estados do Nordeste. Toda a obra deveria ter ficado pronta em 2012, de acordo com o cronograma anunciado pelo governo federal.
O projeto foi orçado em R$ 4,5 bilhões, quando iniciado. E hoje está estimado em R$ 8,2 bilhões. Em entrevista recente ao jornal O Estado de S. Paulo, o Ministro da Integração Nacional Gilberto Occhi, disse que até junho do próximo ano, 100% dos dois canais da transposição estarão concluídos.
“As obras estão caminhando regularmente. Estamos com 11 mil homens trabalhando e com 70% das obras concluídas. A expectativa é ter tudo pronto no primeiro semestre de 2016”, afirma Occhi.
Em contrapartida vem à revitalização, projeto defendido com unhas e dentes por ecologistas, estudiosos, ribeirinhos e aqueles que conhecem bem a realidade do Rio São Francisco. Em Sergipe, um dos defensores da revitalização é o programa Resumo Geral, apresentado pelo radialista Fernando Cabral na rádio Atalaia AM. O quadro “Diga não a transposição; diga sim a revitalização”, discute o tema antes mesmo de ele ser colocado em prática.
No programa dessa quinta-feira (12), Cabral teve como convidados no estúdio um dos coordenadores do movimento pela revitalização no estado, o ex-vereador Antônio Gois, o Goisinho, e o professor Luís Carlos Fontes, que foi membro do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco. Por telefone também participou do programa o Frei Dom Luís Flávio Cappio, um dos mais fervorosos defensores da revitalização.
Fontes chamou a atenção para as questões climáticas e destacou o episódio nunca acontecido antes. “Essa seca que atinge o país, atinge também o velho Chico, pela primeira vez na história vimos as nascentes secarem, isso indica que algo muito grave está acontecendo e isso vai afetar todo rio”, alertou.
Em sua participação Dom Cappio disse que a revitalização é apenas um sonho. “Desde o início da transposição, escutamos por parte do governo a promessa de um trabalho de revitalização na bacia do São Francisco, mas até hoje nada foi feito”, lamentou.
O frei critica o projeto e diz que a transposição é uma obra eleitoreira, que serve apenas para enganar o povo e jogar dinheiro fora. “A obra está sendo construída aos pulos, de eleição em eleição. Passou as eleições, surgem os erros de projeto, e a obra para”, disse.
O motivo segundo Cappio, é que o projeto é equivocado e falido, e não tem condições de ser concluído, além de ser inconstitucional, antissocial, trazer problemas para a economia e ecologia. “Pela Constituição de 1988, todos os recursos aplicados em projetos hídricos devem priorizar o abastecimento das comunidades. E o projeto não faz isso”.
Do ponto de vista econômico Cappio explica que seria preciso construir várias hidrelétricas e usinas nucleares para fazer funcionar. “Seria um gasto absurdo de energia necessário para que o projeto funcione; algo que iria parar o nordeste”, disse.
O programa contou também com a participação de ouvintes que defenderam a revitalização do rio.
Foto: Sílvio Oliveira

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