Droga sintética foi causa da morte de homem em festa, aponta laudo
Inquérito do DHPP e o laudo do IML ainda serão concluídos
Cotidiano 13/12/2017 15h47 - Atualizado em 13/12/2017 16h22

Por F5 News

A n-etil pentilona, droga sintética que está circulando no país desde o começo do ano, foi apontada como provável causa da morte de Carlos Henrique Santana Oliveira, 32, segundo perícia realizada em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O laudo foi divulgado nesta quarta-feira (13), pela Secretaria de Estado da Segurança Pública de Sergipe (SSP/SE).

Carlos Henrique morreu durante uma festa eletrônica, realizada em julho deste ano, no bairro Mosqueiro, zona de Expansão de Aracaju (SE). De acordo com os médicos, o laudo inicial já apontava o uso de um psicotrópico, porém o inquérito do DHPP e o laudo do IML ainda serão concluídos. 

O perito da SSP/SE, Ricardo Leal, em parceria com Unicamp conseguiu identificar em análise qual seria a droga que, coincidentemente, entrou na lista da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no início do ano.

Segundo Ricardo, a substância, que circula por vários estados do país, não era proibida no Brasil até março deste ano, quando a Anvisa atualizou a portaria 344. “Levamos uma amostra de sangue da vítima para o laboratório de toxicologia do Hospital das Clínicas da Unicamp, a partir daí identificamos uma substância chamada n-etil pentilona. Foi à única substância ilícita que encontramos na amostra de sangue e que, possivelmente, produziu a intoxicação e foi um dos fatores que levou à morte", relatou o perito.

Ele diz ainda que, segundo a literatura científica, essa droga causa euforia, agitação, aumento da pressão arterial e dos batimentos cardíacos, tendo uma potência maior que o ecstasy, o que pode contribuir para a morte do usuário. “Ele foi intoxicado por essa substância. Então podemos afirmar que o consumo dessa droga contribuiu, sim, para a morte dele”, disse.

Primeiro caso no país

Ricardo Leal destacou também que esse foi um fato inédito no Brasil. “Nós não temos nenhum outro registro relacionado a essa droga como sendo um fator de influência para morte de alguém, até por ser uma droga sintética relativamente nova. Outro registro de morte possivelmente provocado por essa droga foi nos Estados Unidos, o qual encontramos em um artigo científico no início deste ano”.

De acordo com o perito, a n-etil pentilona foi a droga sintética mais consumida no primeiro semestre nos Estados Unidos. “Infelizmente acabamos identificando a presença dessa droga em um caso com vítima fatal, mas sempre estamos alertando para que as pessoas não consumam drogas sintéticas, porque visivelmente não é possível saber quais substâncias estão presentes e quais os males que elas podem fazer à saúde do usuário. O que podemos afirmar é que há um grande risco para quem consome", alerta.

Ele comenta também que esse tipo de droga pode ter duas ou três substâncias diferentes em um único comprimido. "Identificamos essa substância no segundo semestre do ano passado em alguns comprimidos semelhantes a ecstasy e selos semelhantes a LSD, e também na forma de cristais. Essas drogas são produzidas principalmente na China, 90% delas, e no Leste Europeu, são as informações dos relatórios da ONU.

*Com informações da SSP/SE

Foto: Ilustrativa

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