"É como se fosse um pai sendo arrancado de sua família"
Carvalho desconhece lei usada para afastá-lo. Cotidiano 27/05/2012 09h27Por Márcio Rocha
O Monsenhor José Carvalho de Souza, diretor do Colégio Arquidiocesano de Sergipe, em conversa com F5 News, falou sobre a decisão da direção da igreja católica em Sergipe de realizar mudança no comando da instituição de ensino. Sem mágoas, o religioso deixa o cargo à disposição na certeza do dever cumprido.
“Considero-me plenamente capaz e disposto a trabalhar. Teria muita coisa a fazer ainda aqui pelo Arquidiocesano. Mas percebendo que o desejo do bispo é mudar, não me restava outra alternativa a não ser aceitar. Coloquei o cargo em suas mãos, foi isso que fiz. Estou sem mágoas. Mas é como se fosse um pai que está sendo arrancado de sua família.”.
A decisão da mudança na direção era um interesse do Arcebispo de Aracaju, Dom Lessa, sobretudo depois do dia 1 º de março. Ele falou para Monsenhor Carvalho de sua decisão e este não se opôs. “O Colégio não é meu. Estou aqui mandatário do bispo, como empregado do colégio, tenho direitos trabalhistas e tudo mais. Por conta disso, vou entregar o colégio no dia 23 de junho. Depois disso, virá para o colégio quem ele bem entender”.
Sobre a possibilidade de Dom Lessa reverter a decisão, Carvalho afirma que, como padre, deve obediência ao bispo e a suas decisões. Carvalho não sabe quem assumirá a direção da escola. Há comentários de que pode ser um padre conhecido em Aracaju, que está em uma paróquia da zona Sul.
“Eu devo ter respeito e obediência ao bispo, a seu cargo e sua autoridade. Espero que a transição seja pacífica e tranquila e vou trabalhar para que isso aconteça. Não sei quem é o substituto. Espero que confiram a maneira como eu ajo e também queiram agir, para serem bem-sucedidos. O trabalho está feito, a base está aí. É só dar continuidade ao que vem sendo realizado.”, comentou.
A negativa de Dom Lessa sobre a mudança na direção do Colégio Arquidiocesano ser pessoal, e sim da lei canônica, causou estranheza aos alunos, pais e membros da sociedade em geral. Monsenhor Carvalho foi categórico ao afirmar que desconhece esse artifício legal. A respeito de sua continuidade como membro do conselho administrativo da escola, o Monsenhor negou que fará parte. Relembrou o episódio da sua saída da direção da Rádio Cultura de Sergipe, para exemplificar seu procedimento.
“Eu desconheço essa lei. Se existe, eu não conheço. E depois, o colégio não é paróquia. O colégio é uma empresa. E eu, quando deixo uma instituição, não fico dando palpites sobre ela. Quando deixo, deixo meu substituto trabalhar livremente sem minha interferência. Deixei a Rádio Cultura, não interferi na administração da Comunidade Shalom, quando eles assumiram. Eu sabia que não podia dirigir a rádio e o colégio. Preferi ficar no colégio, pois exigia minha dedicação exclusiva. Como é desejo do bispo em mudar, coloquei o cargo à disposição, como é meu dever.”.
Para o religioso, a especulação sobre Dom Lessa acreditar que, pela idade, ele, Carvalho, não está em condições de dirigir a escola, não é fundamentada. O sistema de ensino da escola está renovado, as condições estruturais do prédio da escola estão nos melhores padrões e o índice de aprovação nos vestibulares e conquistas esportivas estão crescendo a cada ano.
“Jesus pregou a concórdia, o diálogo, o entendimento. E isso, é claro, é muito válido. Então, por humildade, entreguei o cargo, o colocando à disposição. Não quero criar dificuldades para o arcebispo. O bispo tem, de fato, interesse de colocar a administração de outras pessoas, uma administração mais moderna. Não tenho alternativa a não ser deixá-lo à vontade para decidir o que deve fazer. Vou sair sem brigas, sem dificuldade e sem mágoas. Cumpri meu dever. Saio com o coração partido, evidentemente, porque deixo aqui essas pessoas que sempre que me deram muita atenção.”, comentou.
Para Monsenhor Carvalho, a decisão não deveria ter sido tomada neste momento. "Essa repercussão provocada, que não era de meu interesse, mostra que a decisão não é a melhor para o momento. Não haveria necessidade dessa preocupação em colocar outra administração. Em time que está ganhando não se mexe. Vai mexer, e vamos ver o resultado. Mas, quando percebo que sou indesejado, para que permanecer na frente da instituição?”, questiona a si mesmo.

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