“É pedir a Deus proteção", diz comerciante vítima da violência
Dono da Panificação Glória diz que já perdoou o assassino do filho
Cotidiano 10/11/2014 09h45

Por Elisângela Valença

Uma tragédia atingiu a família de Ezequiel Mendonça Andrade, conhecido por seu Mendonça, no último sábado (8). Dois assaltantes entraram na Panificação Glória, de propriedade da família, no bairro Getúlio Vargas, região central de Aracaju, e, no assalto, acabaram matando o filho de seu Mendonça, Marcos Henrique Andrade, 33 anos, que deixou esposa e um casal de filhos.

Visivelmente abatido, seu Mendonça tenta tocar a vida. “Agora, é bola para frente e pedir proteção a Jesus”, disse ele, sentado no mesmo lugar que estava no escritório da panificação no dia do assalto. Na porta da Panificação Glória, o aviso de que as atividades só voltam ao normal amanhã (11). Apenas a parte de fabricação e o escritório estavam funcionando apesar da visível consternação de familiares e funcionários. “Começamos o dia com uma oração porque só Deus que nos sustenta”, disse. A viúva de Marcos, amparada pela família, também tenta tocar as coisas que precisa resolver para cuidar dos filhos.

Segundo seu Mendonça, por volta das 6h15, ele estava no escritório quando entrou um rapaz de boa aparência, usando óculos, moreno claro, cerca de 1,75m de altura, e com arma em punho já pedindo o dinheiro do cofre. “Eu estava arrumando as coisas, o cofre até estava aberto. Tentei conversar com ele, pedir calma, mas ele insistia no assalto”, disse.

“Eu fiquei muito assustado. Simulei um desmaio para ver se ele ia embora, mas ele partiu para o cofre e pegou o dinheiro [pouco mais de R4 3 mil]. Quando ele ia saindo, gritei e tentei segurá-lo. Meu filho chegou e tentamos desarmá-lo. Foi quando ele deu um tiro, que me atingiu na coxa, e o segundo tiro atingiu meu filho, que já caiu morto”, contou. O bandido agiu com um comparsa, que estava no balcão, rendendo a funcionária.

Ainda esta manhã, seu Mendonça deve prestar depoimento no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que ficou responsável pelo caso. “O bandido, eu já perdoei. Infelizmente, meu filho não volta mais. É pedir a Deus proteção e esperar pela justiça”, disse. “Ainda não consegui pensar o que fazer de minha vida. Tenho 79 anos, estou aqui só ajudando meus filhos a tocarem o negócio. Sinceramente, não sei o que fazer”, desabafou.

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