Egressas do sistema prisional de SE farão curso em faculdade particular
Elas integram programa de ressocialização que já beneficiou 12 pessoas
Cotidiano 05/02/2015 17h36

Por Fernanda Araujo

Entrar na faculdade, trabalhar com carteira assinada e escrever uma nova história, é o que as duas apenadas do sistema prisional de Sergipe, em regime semi-aberto e condicional, pretendem fazer a partir de agora. As egressas Daiane Santos e Isis Menezes (foto), que trabalham na Embrapa em Sergipe, através de um programa de ressocialização que já beneficiou 12 pessoas, passaram no vestibular pelo FIES e Prouni e irão fazer curso de Serviço Social e Fisioterapia em uma faculdade particular em Aracaju.

Estudando rotineiramente para passar no vestibular, Daiane relata que escolheu o Serviço Social para tentar transformar outras pessoas. “Eu sempre tive uma busca em transformar algo, eu acredito que essa área é muito ampla e vasta, vai me ajudar bastante a mudar. Posso não conseguir mudar o mundo, mas se eu conseguir mudar duas ou três pessoas já está de bom tamanho”, ressalta.

Além de fazerem o que gostam, o intuito de cursar em uma faculdade é, segundo elas, prestar concurso público da Embrapa. Para Daiane o curso de Serviço Social ajuda também a se ressocializar com outras pessoas e abre portas para o conhecimento. “É nunca ter vergonha do que eu já passei, mas é uma forma de mudar. Uma vez eu disse que ia mudar um pouco da história e acho que consigo voltar ao Prefem e ajudar a ressocializar as outras meninas quando me formar”, diz. A realização pessoal dela vai ser quando retornar ao curso de Música, a qual chegou a iniciar em 2003 na Universidade Federal da Bahia, mas abandonou.

Daiane foi acusada de sequestro, formação de quadrilha, porte ilegal de arma e corrupção de menor, e trabalha em serviço geral como auxiliar e eletricista na Embrapa. Toca saxofone e bateria, fez teatro em 2012 através do projeto Penarte, participou do lançamento do livro Outras Vozes, dava aulas de alfabetização dentro do presídio, trabalhou na biblioteca do Prefem, fez o Enem em 2012 e obteve 445 pontos. “Acho que estudar é constante, sempre se preparando”.  

Isis foi acusada de tráfico de drogas, trabalha como auxiliar de jardinagem. Para ela, a Fisioterapia escreverá uma nova história na sua vida. “Me identifiquei com o curso,  em poder ajudar a outras pessoas  em reabilitações. Esse curso vai me ajudar em tudo, vai ser um grande degrau na minha vida”, acrescenta.

O programa

O programa de ressocialização é um modelo trazido de Campo Grande (MS) para Aracaju pelo presidente do Conselho na Execução Penal em Sergipe (CCEP-SE) José Raimundo de Sousa, sob reações da sociedade que não apoiam o ex-presidiário. “Digo sempre que: todo o bandido é criminoso, mas nem todo criminoso é um bandido. Tem muita gente que é possível fazer um trabalho bem feito, trazê-los ao seio da sociedade e ao mercado de trabalho sem transtornos. Em Campo Grande o índice de reincidência está em 4%, quando a média Brasil é 80%”.

De acordo com Souza, as jovens, assim como os outros egressos, fazem jus ao apoio que recebem, dando resposta positiva. Para ele, há muitos capazes dentro dos presídios e querem mudar, mas precisam do apoio da sociedade. “Tem muitas Isis e Daianes que precisam, precisamos de pessoas que acreditem no projeto, que levem para outras repartições e empresas privadas. Só vamos descansar quando atingirmos grande número de egressos. Se não abrirmos essas janela, certamente vão voltar ao mundo do crime. Falta dar um voto de confiança”.

Em julho do ano passado, F5 News mostrou como é desenvolvido o programa de ressocialização. Veja abaixo a matéria de vídeo:

 

 

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