Saúde
Em Sergipe, 391 crianças nasceram com sífilis congênita este ano
Dados preocupam. Conheça os riscos da doença e as formas de prevenir
Cotidiano 15/10/2020 09h30 - Atualizado em 15/10/2020 17h44

O Programa IST/Aids da Secretaria de Estado da Saúde (SES) lembra que o terceiro sábado de outubro foi instituído em 2017 pelo governo federal como o Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita. O objetivo da iniciativa foi o de estimular a participação dos profissionais e gestores de saúde na intensificação de atividades que enfatizem a importância do diagnóstico e do tratamento adequados da sífilis na gestante durante o pré-natal e da sífilis em ambos os sexos como infecção sexualmente transmissível, segundo informa o gerente do programa, médico Almir Santana.

Ele observa que mesmo se tratando de uma doença que tem cura e que pode ser prevenida, vários casos de sífilis, principalmente em gestantes e em crianças, são registrados anualmente no Brasil. E em Sergipe não é diferente. A Sífilis Congênita tem no Estado registros preocupantes: Este ano, até o momento, nasceram 391 crianças com sífilis congênita, número que na avaliação de Almir Santana sinaliza uma quadro epidemiológico ainda mais grave.

Almir revela, ainda, dados dos anos anteriores: em 2019 foram 484 crianças; em 2018, 330; 318 em 2017 e em 2016 nasceram 308 crianças com sífilis. “Uma contradição está ocorrendo no Estado. Enquanto aumenta o número de gestantes e crianças com sífilis, cai o registro de casos de Sífilis adquirida, o que indica haver falha na detecção da infecção no adulto”, alertou o médico Almir Santana.

Segundo ele, Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, Estância, Lagarto, São Cristóvão, Itabaiana e Barra dos Coqueiros são os municípios com maior registro absoluto de casos de Sífilis em crianças e em gestantes. Acrescentou que a taxa de detecção da sífilis congênita é também preocupante em municípios menores como Arauá, Feira Nova, Santa Rosa de Lima, Riachuelo, Rosário do Catete, Divina Pastora, Pirambu e Santo Amaro das Brotas.

O que é a Sífilis?

De acordo com Almir Santana, trata-se de uma infecção causada pela bactéria denominada Treponema Pallidum, podendo ser transmitida através da relação sexual sem o uso do preservativo e durante a gravidez, quando a mãe está infectada e não houve o acompanhamento do pré-natal de forma correta. A evolução da doença, que pode levar até a morte, é lenta e, muitas vezes, passa imperceptível.
A sífilis pode se manifestar de várias formas, em diferentes estágios, e pode ser transmitida por relação sexual sem o preservativo, recepção de sangue infectado ou da gestante para o bebê, quando o pré-natal não é feito corretamente.

Enfatizou que um dos sintomas iniciais é a presença de feridas nos órgãos genitais, que desaparecem espontaneamente em alguns dias.  A doença tem três estágios, sendo o terceiro (sífilis terciária) o mais grave deles. Caso não haja o tratamento, além das lesões de pele que a pessoa pode vir a ter na sífilis secundária, ela pode evoluir para o terceiro estágio sífilis comprometendo coração e vasos sanguíneos e até lesões no sistema nervoso central.

No caso da mulher, se não tratada corretamente, quando gestante, pode vir a ter o bebê com sífilis - sífilis congênita – quando a doença passa para a criança por meio da placenta. A sífilis congênita pode causar aborto, má formação e várias alterações na criança, indicando que houve alguma falha no pré-natal.
As maiores falhas do pré-natal são: início tardio – mulheres que iniciam o pré-natal já com 4, 5 e até 8 meses de gravidez; diagnóstico tardio da gravidez – adolescentes e mulheres que às vezes estão grávidas e não sabem, confirmando a gravidez, por exemplo, no terceiro mês, iniciando tardiamente o pré-natal; o diagnóstico da gestante com sífilis, muitas vezes ocorre na maternidade, em vez de ocorrer na atenção primária; o parceiro da gestante não participando do pré-natal – às vezes a gestante está com sífilis e faz o tratamento, mas o seu parceiro não aceita se tratar.

Parceiro

Para Almir Santana, é fundamental que o parceiro também se previna, participe do pré-natal, faça o teste e, em caso de resultado positivo, inicie o tratamento imediatamente. Só assim é possível evitar uma nova infecção e garantir a saúde do bebê. Destacou que a SES lançou nota técnica recomendando, como rotina, a solicitação do VDRL ou Teste Rápido para diagnóstico da Sífilis em homens durante as consultas médicas nas instituições de saúde pública e privadas e nos exames periódicos das empresas.

Prevenção à congênita

A prevenção da sífilis no bebê pode ser feita com medidas simples, de baixo custo e altamente eficazes, traduzidas no diagnóstico da sífilis materna e no tratamento adequado da mãe e de seu parceiro sexual, resultando no tratamento simultâneo do feto. O uso do preservativo masculino ou feminino nas relações sexuais durante a gravidez é de grande importância para evitar que a criança venha nascer com sífilis.

Transmissão do HIV

É importante informar à população que a presença de úlceras (feridas) genitais provocadas pela sífilis aumenta em até 18 vezes a possibilidade de transmissão do HIV nas relações sexuais sem preservativo. É mais um motivo para diagnosticar e realizar o tratamento da sífilis o mais rápido possível.

Exames no pré-natal e tratamento

Os testes para detecção da sífilis devem ser feitos na primeira consulta do pré-natal (idealmente no 1º trimestre), no terceiro trimestre da gestação e no momento do parto (independentemente de exames anteriores), como também em caso de abortamento.

“Todas as gestantes e parceiras sexuais devem ser testadas e informadas sobre a prevenção da transmissão vertical. Em caso de gestante, o tratamento deve ser iniciado com apenas um teste reagente, sem precisar aguardar o resultado do segundo teste. A penicilina benzatina é a única opção de tratamento segura e eficaz na gestação para a prevenção da sífilis congênita, devendo ser administrada na Atenção Primária”, orientou.

 

Fonte: Ascom SES

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