Estão brincando de fazer segurança pública em Sergipe, diz Sindpen
Cotidiano 03/01/2015 12h53

Por Fernanda Araujo

Mesmo tendo dado um voto de confiança ao novo secretário, Antônio Hora, que assume a Secretaria de Justiça e Cidadania de Sergipe (Sejuc), o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários e Servidores da Secretaria de Estado da Justiça (Sindpen), Edilson Souza (foto), fez duras críticas à segurança pública do estado no programa Sistema Prisional em Debate, transmitido pela Rádio Jornal AM, no final da manhã deste sábado (03).

A fuga de oito detentos do Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto (Copemcan - foto abaixo), localizado em São Cristóvão, na quinta-feira (01), que renderam um agente de pré-nome Jobson, ameaçando-o com a arma apontada para cabeça, foi o ápice para uma quase greve. Segundo Edilson, essas situações vêm se perpetuando por muito tempo, e o sindicato até em outras gestões já denunciou o problema da segurança dentro dos presídios.

“Este ano a gente espera conseguir alguma coisa de que possamos dar maior segurança não só aos nossos companheiros agentes prisionais, como também a própria sociedade que está refém da segurança pública”. E

dilson Souza lembra que o Copemcan foi construído com a capacidade para 800 internos, hoje chega a cerca de 2.400, além disso, o número de agentes penitenciários é insuficiente, a iluminação de segurança não existe e casas residenciais foram construídas em torno do presídio.

“Deixaram construir essas casas mesmo sabendo que correm o risco de ter uma bala perdida. A legislação diz que residência deve estar a 3 km de distância de presídio. Hoje não tem dois palmos. Isso não pode ocorrer, além disso, essas famílias poderão ficar refém de detentos no momento de fuga. Por isso, a gente pede ao Ministério Público, a própria OAB que juntamente com o governo do estado retirem aquelas residências dali. É uma vergonha”, lamenta.

O agente contou ainda que no dia de visita, na sexta-feira, na quinta-feira (01) à noite – dia da fuga – vários familiares de detentos estavam à porta do presídio e até com barracas, aguardando a entrada. “Por isso, fugas acontecem. Porque estão brincando de fazer segurança pública nesse estado. Como é que pode deixar criança, até recém nascida, dormindo na entrada do presídio? Cadê o ministério público, o juizado? Não se faz segurança sem pensar no sistema prisional. A lei não permite isso o que está ocorrendo. Em momento de rebelião ou fuga, essas pessoas, fatalmente, serão afetadas. Eu peço a essas famílias que não vão dormir lá”.

Além desse problema, Edilson reclama do baixo efetivo e da falta de proteção em que se encontra o Copemcan. “Os nossos companheiros agentes penitenciários que fazem parte de operações especiais, esse grupo foi criado para fazer a segurança dentro do presídio do Copemcan, no entanto, esse grupo faz segurança no Santa Maria. Cobre um santo e descobre o outro. Leva esse grupo de operações para um presídio terceirizado com número maior de agentes prisionais que tem lá e deixa o maior presídio do estado, com maior número de detentos, a ver navios”, rechaça.

Fotos: arquivo F5 News

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