Estudante de Direito é condenado a indenizar vítima de agressão
Cotidiano 29/10/2014 13h20

Por Fernanda Araujo

O Fórum Gumersindo Bessa, em Aracaju (SE), realizou nova audiência sobre o caso do funcionário público José Hunaldo Nascimento Pereira, 55 anos, que no final da tarde do dia 18 de novembro de 2012 foi agredido com golpes de artes marciais pelo estudante de Direito Adriano Ribeiro Silva, conhecido como Adriano Ballack, na época de 24 anos.

A agressão aconteceu no condomínio Mar Egeu, bairro Coroa do Meio, quando o acusado teria entrado em alta velocidade no local. Hunaldo, morador há 20 anos, afirma que tentou conversar com o jovem para que ele seguisse a velocidade máxima permitida, de 20Km/h, do condomínio já que poderia provocar acidente, momento em que iniciou a confusão.

O réu terá que pagar indenização de R$ 10 mil à vítima por dano emergencial e não poderá se envolver outro processo judicial no período de cinco anos. Além disso, Adriano Ballack está obrigado a não se ausentar da comarca de Aracaju e deverá comparecer ao Fórum mensalmente sempre que for convocado. Se o réu quebrar um desses compromissos, automaticamente, perderá o benefício de suspensão da pena.

A audiência estava marcada para às 9h, mas até por volta das 10h ainda não havia começado. Além disso, a imprensa foi barrada, sendo impedida de entrar no fórum para entrevistar o réu e acompanhar a audiência na 1º Vara Criminal.

No próximo dia 15 de novembro o caso completará dois anos e o defensor do acusado pede a suspensão do processo. Segundo o advogado da vítima, Alcivan Menezes, o pedido de enquadramento no crime de tentativa de homicídio foi negado pela juíza, entendendo ela que a vítima não ficou impossibilitada ao trabalho de forma definitiva. Agora, Adriano é acusado pelo Ministério Público de lesão corporal grave com a majoração da pena. “A sentença terminativa condenou o réu a uma pena inferior a quatro anos, razão pela qual a legislação prevê que nestes casos é possível se propor a suspensão condicional da pena”, diz.  Assista ao vídeo:

Conforme Lara Karina Pereira, filha de Hunaldo, a família se sente de mãos atadas. “Ele não estava fazendo nada mais que curtindo o domingo com a família e tentou proteger a integridade das crianças do condomínio. A juíza vê de uma maneira que ficamos estáticos e abismados. Ele teve sim danos permanentes, todos os dentes de meu pai foram arrancados, ele vai ter que fazer implante, isso custa dinheiro. E a família fica vendo mais um caso que vai ficar impune por conta de uma justiça cega”, afirma.

Após o episódio Hunaldo ainda continua trabalhando. Ele relembra os momentos de terror e as consequências das agressões que o deixaram sem 16 dentes e teve que reconstruir a face. Para ele a tortura psicológica é ainda pior que a física.

“Tinha crianças, eu estava fazendo churrasco pra a família, pedi licença a minha esposa e fui falar com ele que se ele fosse sair não saísse da forma que entrou. Ele sentadinho no carro, quando dei as costas me acordei com uma poça de sangue, com o Samu e a vizinhança do meu lado, parte dos meus dentes no chão, meu maxilar quebrado, costela ficou um pouco afundada, fiquei 90 dias comendo miojo e mingau de aveia. Hoje estou com cinco placas de titânio, 21 parafusos e falta implante dos dentes. Isso tudo por nada. Não xinguei, não agredi. Tive muitas despesas, anestesia, dentista, farmácia, alimentação. Vagabundo nesse país é que tem vez e não acontece nada, estão passando muito a mão na cabeça pelo o que eu tenho observado. Não tem punição”, lamenta.

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