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Estudo situa Instagram como a rede social mais nociva, um "mundo de aparências"
Plataforma pode afetar autoestima, gerar ansiedade e sintomas depressivos
Cotidiano | Por Victória Valverde* 06/07/2019 07h00 - Atualizado em 06/07/2019 14h35

Independente do local ou da ocasião, é comum se deparar com muitas pessoas de cabeça baixa, olhando para o celular. No banheiro, durante uma refeição, enquanto assistem TV, nas filas, andando pelas ruas. Nessas e em várias outras ocasiões, o uso do celular é quase automático.

Entre os maiores motivadores do uso do celular estão as redes sociais. Através de um relatório do ano passado divulgado pelas empresas “We are Social” e “Hootsuit”, 62% da população brasileira é ativa nas redes sociais, sendo as mais acessadas o Youtube (60% de acesso), o Facebook (59%), o WhatsApp (56%) e o Instagram (40%).

Devido ao seu grande uso, o impacto negativo que as redes sociais podem ter na saúde mental dos usuários é um tema que vem sendo cada vez mais discutido. Apesar de ter o menor acesso entre as citadas, o Instagram é tido como a rede social mais nociva para a saúde mental.

Lançado em 2010, o Instagram foi criado pelos engenheiros de sofware Kevin Systrom e Mike Krieger. O aplicativo começou como um espaço para compartilhamentos de fotos usado quase que exclusivamente por fotógrafos, mas, ao longo dos anos, passou a atrair pessoas de todas as idade e classes sociais. Em abril deste ano, foram contabilizados 66 milhões de brasileiros com conta na plataforma.

Pior que cigarro e álcool

De acordo com uma pesquisa de maio de 2017, do instituto Young Health Movemente (YHM), feita com 1.500 indivíduos entre 14 e 24 anos, o Instagram é a rede social mais prejudicial à saúde. A maior parte dos entrevistados relatou que o aplicativo afeta negativamente sua autoestima, diminui as horas de sono, estimula o assédio digital, gera ansiedade, sintomas depressivos e uma sensação de solidão.

A chefe-executiva da pesquisa, Shirley Cramer, disse que “as redes sociais foram descritas como mais viciantes que cigarros e álcool e estão tão impregnadas nas vidas dos jovens que não é mais possível ignorar este fator ao discutir sua saúde mental”.

Em 2019, o debate sobre o impacto das redes sociais na saúde mental continua em alta. Em abril deste ano, o Instagram anunciou estudar a possibilidade de mostrar o número de curtidas de uma publicação apenas para o usuário que fez a postagem. A proposta é diminuir a competição tóxica presente na rede.

Outra mudança feita na plataforma foi que, ao digitar na barra da pesquisa as hastags #depressão e #ansiedade, o usuário recebe a seguinte mensagem: "Publicações com as palavras ou tags que você está procurando muitas vezes incentivam um comportamento que pode fazer mal a uma pessoa e até levá-la à morte".

Em seguida, o usuário é apresentado a duas opções: obter apoio ou ver publicações mesmo assim. Ao optar por buscar apoio, o indivíduo é aconselhado a mandar mensagem para um amigo ou entrar em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV) através do número 188, de um chat online ou do e-mail atendimento@cvv.org.br. Além disso, o Instagram também disponibiliza dicas como “dê uma caminhada”, “escreva como está se sentindo” e “escute uma música relaxante”.

Geração Z

A Geração Z – composta por pessoas nascidas de 1994 a 2010 – nasceu com a internet e domina o uso das suas ferramentas. Por serem nativos digitais, o uso das redes sociais e outros meios cibernéticos faz parte do seu cotidiano, junto com todos os seus benefícios e malefícios.

Com a internet, temos infinitos conteúdos na palma da nossa mão. Podemos nos aprofundar em diversos assuntos e, apesar de todas as nuances e burocracias da plataforma, o acesso à informação nunca foi tão democrático. Entretanto, por estar mais imersa neste mundo, a geração Z também é a que mais sofre com os efeitos psicológicos da superexposição nas redes sociais. O Instagram tem a particularidade de veicular em sua maioria imagens – muitas vezes aperfeiçoadas com filtros e outras modificações – que são consumidas com mais rapidez do que textos.

O que acontece na plataforma é um grande fluxo de compartilhamento de imagens utópicas, que retratam corpos perfeitos, vidas perfeitas e lugares perfeitos. Ao consumir esse conteúdo, a comparação é quase inevitável. O problema é que os usuários comparam suas realidades com um simulacro.

O simulacro – conceito introduzido pelo filósofo francês Jean Baudrillard – é uma representação de uma realidade que é melhor do que a realidade de fato. A mídia realiza esse fenômeno há muito tempo (principalmente através da publicidade), mas com a ascensão das redes sociais, todo mundo passou a produzir simulacros ao selecionar momentos editados, em sua maioria positivos, para compartilhar. O resultado é uma geração que acha que a grama do vizinho é sempre mais verde.

Antídoto

Ao pesquisar “detox digital” no Youtube, os resultados são inúmeros. Cada vez mais pessoas estão percebendo os benefícios de se afastar, nem que seja por alguns dias, da realidade virtual. É o caso da universitária de 21 anos Letícia Rollemberg. Ela é ativa no instagram há oito anos e há um tempo vem percebendo os efeitos negativos da rede na sua vida.

“A melhor forma que encontrei de lidar com esses efeitos foi excluir o aplicativo quando não tenho necessidade de usá-lo. Durante a semana o mantenho excluído, a não ser que precise me comunicar com alguém ou que o trabalho exija. Nos fins de semana, me libero, mas também com atenção para que esteja presente no momento e não passeando pelo feed”, explica Letícia.

O estudante de 21 anos Paulo Hernandes também sentiu na pele os efeitos negativos da rede. Ativo no Instagram desde 2013, ele já trocou de conta e apagou suas postagens incontáveis vezes, tudo em uma tentativa de seguir uma estética perfeita. Em 2019, ele resolveu apagar de vez sua conta.

“Eu deixei de usar porque percebi que me desgastava muito tentando fazer fotos perfeitas. Isso me estressava muito, Eu postava uma foto e minutos depois apagava porque me achava horrível, ficava me comparando com as pessoas que eu acompanhava na plataforma. Tudo isso me dava dor de cabeça”, desabafa Paulo.

*Estagiária sob a orientação da jornalista Monica Pinto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

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