Ex-corregedor faz novas denúncias sobre fraude no abastecimento da PM/SE
Cotidiano 25/01/2018 18h04 - Atualizado em 26/01/2018 08h48

Por Fernanda Araujo

Ainda repercute a polêmica sobre o suposto esquema de desvio de combustíveis da frota da corporação da Polícia Militar de Sergipe. Nesta quinta-feira (25), o comandante geral da PM, Marcony Cabral, disse que vai processar na esfera criminal e, posteriormente cível, o coronel Bené Oliveira Gravatá, que levantou suspeitas sobre a conduta do comandante em relação ao caso.

Em entrevista ao jornalista Gilmar Carvalho, o coronel Bené Gravatá afirmou que o comandante da PM, Marcony Cabral, está enganando o governo e a sociedade, além de chamá-lo de "mentiroso e mau caráter". Disse ainda que o tenente coronel Edenisson, chefe da PM 4, responsável pela frota e abastecimento das viaturas, além de ser primo do comandante, estaria sendo protegido pelo Comando em relação às  investigações. A PM nega proteção.

Gravatá, lotado na Central de Inquérito da PM, afirma que havia conduzido a investigação quando era corregedor da PM. Disse ainda que o suposto esquema fraudulento ocorre desde 2016, e havia protocolado a denúncia, porém, foi aí que ele foi retirado da Corregedoria e, segundo o coronel, não aprofundaram as investigações.

O caso só veio à tona este mês após o vazamento à imprensa do Inquérito Policial Militar (IPM) que havia sido instaurado em 11 de novembro passado, depois de uma denúncia anônima através do Disque-Denúncia à Corregedoria da PM.

A investigação teve início por ordem do próprio comandante geral da PM, coronel Marcony Cabral. A Polícia Civil também conduziu uma investigação paralela, segundo a SSP.

Ainda conforme  a SSP, todas as diligências solicitadas pela Corregedoria Geral da PM foram realizadas e o inquérito foi encaminhado à Justiça Militar da 6ª Vara Criminal. O caso também foi levado ao Promotor Militar, do Ministério Público Militar, ao secretário de Estado da Segurança Pública e à OAB. 

“Esse problema nasceu da delegacia de defraudações. A delegada viu que era um militar envolvido e encaminhou para a PM. Foi determinado uma coronel para apurar. Ela apurou e só chegou a um sargento e a uma frentista de um posto de combustíveis, que foi ameaçada. No momento foram indiciados só os dois. Mas tem que ir mais a fundo que vai aparecer mais gente, tenha certeza disso. Enquanto nossos bravos soldados estão nas ruas em Aracaju e no interior, quando falta gasolina, ficam na rua, os caras estão vendendo gasolina no estado. Prejuízo pode ter chegado em torno de um milhão de reais ou mais”, disse coronel Gravatá ao programa, acrescentando que o sargento acusado possuía 17 cartões da PM com valores ilimitados para abastecer as viaturas, o que, na verdade, era utilizado para benefício próprio.

O coronel Gravatá declarou ainda que não tem medo de represálias e levantou suspeita contra o comandante geral. “Esse inquérito ia sumir com ele, ia engavetar, mas eu corri atrás. Quando ele viu que baixei umas diligências, correu atrás desse inquérito e me tirou da Corregedoria, criou função que não existe, a Central de Inquérito, sem planejamento nenhum. Criou por Portaria, o que fere os princípios constitucionais e administrativos, sem passar pelo conhecimento da Assembleia. Eu ia investigar e pedir a (prisão) preventiva de todos. Se eu aparecer morto de tiro pode ter certeza que foram ‘eles’, porque ‘eles’ são covardes”, apontou.

Cabral respondeu que vai processar cível e criminalmente o militar pelas ofensas e para que o coronel prove o que disse. O Comando também deve tomar medidas administrativas contra Gravatá.

Cabral disse ainda que está tranquilo sobre as investigações que foram feitas pela Delegacia de Defraudações e encaminhadas para a Corporação, onde foi instaurado o inquérito e levado ao Ministério Público.

“Isso é um fato, está escrito, os autos estão lá. Jamais aceitaria ou aceitarei ser achincalhado na minha honra pessoal. Lamento que a PM seja motivo de notícia ou declarações tão lamentáveis, principalmente baseada em impressões de um oficial que não tem motivo algum para se pronunciar dessa forma. Inclusive, é uma postura incomum, numa corporação hierarquizada, militarizada, alguém vir contra a pessoa do comandante geral e com termos como foram colocados. Minha postura tem sido sempre em prol da instituição”, ressaltou.

O comandante defendeu ainda a pessoa do coronel Edenisson, da PM 4, dizendo ser alguém "competente, pulso firme, sem mácula e com história na PM", porém, alertou que se houver indícios de envolvimento na fraude contra ele ou qualquer outra pessoa será investigado.

À TV Atalaia, o relações públicas da PM, tenente coronel Paulo Paiva, lamentou as declarações do coronel Gravatá à imprensa, conduta considerada reprovável, quando o caso já está judicializado e é de conhecimento do Ministério Público.

De acordo com a PM, até o momento, as investigações só encontraram indícios contra o terceiro sargento acusado e a frentista. A assessoria técnica do Comando estuda quais medidas administrativas podem ser adotadas, com a possibilidade de responsabilizar o coronel Gravatá disciplinarmente.

“As investigações foram realizadas por uma coronel, portanto, uma pessoa isenta, com capacidade técnica profissional para fazer a apuração que o caso requer. A PM e o Comando não podem fazer pré-julgamentos, nem tampouco adotar medidas baseadas em conjecturas, por esse motivo foi instaurada uma investigação séria. Tanto o promotor público como a juíza auditora tem competência legal e autoridade para solicitar quaisquer diligências, denunciar outras pessoas que sequer foram indiciadas ou até solicitar prisões  preventivas ou temporárias se achar que assim é necessário. Frisa-se que o comando, enquanto instituição, tem todo interesse em responsabilizar na forma da lei, toda e qualquer pessoa, se contra ela restarem indícios concretos em relação as fraudes”, completou Paiva. 

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