Excesso de peso em mochilas pode ser responsável por dores e má postura
Especialistas orientam sobre os cuidados com a saúde de crianças e adolescentes Cotidiano 23/01/2020 05h55Em um mercado repleto de cores vibrantes, personagens variados e modelos originais, as mochilas escolares escondem perigos em meio a todo encantamento. Segundo dados divulgados no ano de 2019 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70% dos problemas de coluna na fase adulta, tem como causa o acúmulo do excesso de peso e esforço repetitivo na infância e adolescência, tendo grande associação ao uso de mochila na fase escolar.
Para o médico ortopedista pediátrico, Rafael Gonçalves, a escolha da mochila exige tanto cuidado quanto a compra do tênis para a criança ou adolescente. “ O mais importante ao escolher o produto é fiscalizar o peso. O ideal é que a mochila não ultrapasse 10% do peso da criança, ou seja, uma criança que pesa 30 kg, deve ser orientada a usar uma bolsa de até 3 kg, ressaltando que, este número já inclui o peso do material escolar a ser carregado por ela”, afirma.
Quando questionado sobre os danos causados, o ortopedista alerta os pais que as mochilas devem ser resistentes e, acima de tudo, confortáveis: “o recomendado é que seja uma bolsa com menor número de compartimentos, com duas alças firmes e acolchoadas, que sejam reguladas para que a mochila fique a cima da lombar do estudante, pois, assim, os ombros não ficarão sobrecarregados. É válido ressaltar que, a solução nem sempre é a mochila com rodinhas, pois, se não houver os mesmos cuidados e atenção à altura do puxador, as lesões não serão evitadas”.
Ao menor sinal de desconforto sinalizado pela criança, o ortopedista pediátrico alerta que os pais busquem uma avaliação médica. “Em vários lugares onde eu atendo, tanto em Aracaju, quanto em cidades do interior, cerca de 60% das crianças que chegam para ser avaliadas no segundo semestre, por exemplo, são decorrentes desse tipo de problema. O sobrepeso desses materiais pode ocasionar lesões tão graves quanto às originadas pelo uso incorreto de um sapato. Do mesmo jeito que a criança precisa usar um tênis flexível, que respeite sua pisada, a mesma também deve respeitar sua postura, pois todo excesso de peso será refletido em dor pelo corpo e, muitas vezes, a alteração na postura já é um sinal de compensação na coluna, em um dos lados, além de problemas mais graves como a escoliose e compreensão dos discos vertebrais. Por isso, os responsáveis devem ficar atentos e buscar todos os tipos de prevenção ”, declara Rafael.
Já que as crianças em fase de crescimento ainda não têm a estrutura muscular devidamente desenvolvida como a de um adulto, o fisioterapeuta, Lucas Cacau, alerta que as dores podem não ser causadas apenas nas costas, mas, também, na musculatura, cabeça e pernas. “Em estágios de dor, ainda sim, é possível a correção do dano, a fisioterapia possui técnicas que corrigem esses desequilíbrios musculares, pois cada lesão tem sua particularidade, desta forma, temos tratamentos como a fisioterapia clássica, a fisio manual, bem como a Reeducação Postural Global (RPG)”, conclui o profissional.
Fonte: Assessoria de Imprensa



