Falta de cuidadores pode reduzir número de vagas em creches de Aracaju
Cotidiano 05/02/2015 09h37

Por Elisângela Valença

O ano letivo da Escola Municipal de Ensino Infantil Nunes Mendonça, no bairro Coroa do Meio, zona sul de Aracaju, começa efetivamente no próximo dia 9, mas a movimentação na escola começou na manhã de hoje (5) com a informação de que mães estavam revoltadas com mudanças no atendimento.

Segundo informações, a creche deixaria de atender no turno integral para atender apenas pela manhã, o que atrapalharia a rotina das mães que trabalham em dois turnos do dia.

De acordo com a diretora, Ivanildes Santos, há informações desencontradas. “O atendimento vai continuar o mesmo, teremos apenas uma alteração temporária na faixa de 2 e 3 anos de idade por conta da quantidade de profissionais”, disse.

Ela explicou que as turmas até um ano de idade, permanecem com o turno integral e a pré-escola, 4 e 5 anos de idade, continuam das 7h às 11h. “A questão é que estamos com equipe reduzida para o atendimento às turmas de 2 e 3 anos. Não temos como receber as crianças e não atender direito. Eles ficarão conosco das 7h às 12h, com café da manhã e almoço”, disse a diretora.

Desde o início do ano, os contratos das cuidadores estão sendo encerrados e não renovados, tampouco substituídos pela Secretaria Municipal da Educação (SEMED), como informou a professora Silvia Isabel Relvas Monteiro de Oliveira, coordenadora pedagógica da escola. Segundo ela, se a falta de cuidadoras permanecer, em 2015 é muito provável que haja a redução no número de vagas oferecidas para a creche.

“Ou até mesmo nem abramos vagas, porque não sabemos como vai estar a situação até lá, pois os contratos acabam e não são renovados, ou seja, não teremos material humano para atuar. O problema é tão grande que as pessoas da limpeza estão ajudando na tarefa de cuidar dos alunos”, lamentou a coordenadora. Atualmente, dos 235 alunos da EMEI Nunes Mendonça, 78 têm idade até três anos, portanto, estão na creche.

Para cuidar de toda essa turminha são apenas três professores — estando um sob regime de contrato simplificado — e três cuidadoras, sendo que uma delas está gestante e já no oitavo mês de gravidez, estando prestes a se afastar do trabalho. E como se não bastasse, a Nunes Mendonça tem ainda outros problemas para contornar, a exemplo da falta de um porteiro.

“Não nos dão condições de trabalho, mas enviam fichas de acompanhamento e para avaliação do desenvolvimento da criança. Agora me diga como fazer esse acompanhamento se não há profissional para cuidar dos meninos?”, questionou Sílvia Isabel Relvas, que disse saber que o mesmo problema está sendo enfrentado por outras escolas de educação infantil da rede pública municipal de ensino.

E de acordo com um breve levantamento realizado pelo Sindicato dos Profissionais de Ensino do Município de Aracaju (Sindipema) o problema é uma realidade também das EMEI’s José Augusto Arantes Savazine, no bairro Japãozinho, e Dr. Fernando José Guedes, no Bairro América. Na João Savazine, por exemplo, existem apenas três professores e três cuidadores para as turminhas da creche, quantidade que já é insuficiente, o ideal é que cada sala tenha duas cuidadores. Mas o que é ruim vai ficar pior a partir de janeiro de 2015, quando os contratos de três delas estarão vencidos.

O assessor de comunicação da Secretaria Municipal de Educação (Semed), Pedro Rocha, reconhece que o quadro de cuidadores no Município está aquém do necessário. “Nó precisamos de mais de 200 cuidadores para o atendimento de crianças na rede de ensino e temos menos de 120”, contou.

Ele citou que o problema não foi resolvido nem com o último concurso. “Convocamos 240, mas apenas 105 compareceram. Destes, apenas 85 ficaram, mas 30 destes já pediram exoneração”, contou. Dentre os motivos destas saídas, está a ilusão. “Muitas pessoas fazem concurso apenas para entrar no serviço público e, quando dá de cara com a realidade do trabalho, como são os casos de cuidador e merendeiro, pedem para sair”, comentou.

A solução, mesmo paliativa, pode avançar no semestre letivo. “Estamos tramitando um processo de terceirização, que pode levar cerca de três meses. Até lá, precisaremos limitar o atendimento”, afirmou.

*Com informações do Sindipema

Foto: agência aracaju

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